sábado, 18 de junho de 2011

O Cristianismo, a Igreja Católica e a Reforma Protestante


O Cristianismo, a Igreja Católica e a Reforma Protestante

Vocês sabem quantas igrejas cristãs exitem na sua cidade? E no seu estado, vocês sabem? Se essas perguntas são difíceis de serem respondidas imaginem se as mesmas se referissem a nível nacional ou mundial.
Segundo a edição de 2001 da World Christian Encyclopedia existem 33 830 denominações cristãs. Muitas não? Não é a toa que o cristianismo é a religião com maior número de seguidores do mundo, com mais de 2 bilhões de fiéis. Isso corresponde a 1/3 da população mundial.
Dentre as igrejas (ou denominações) cristãs, a Igreja Católica é apontada como a maior em número de fiéis. Segundo algumas estatísticas recentes, mais de um bilhão de pessoas professam ser adeptas do catolicismo, que tem o Brasil e o México como os principais redutos de convertidos.
Já o número de protestantes no mundo atinge a casa do 600 milhões de fiéis, divididos em milhares de denominações.
Mas qual a origem do Cristianismo, você sabe?
Pois bem. A origem do Cristianismo está relacionada ao nascimento de Jesus Cristo, líder judeu que promoveu uma nova prática religiosa universalista destinada à salvação de toda a humanidade. Após a morte de Cristo, a principal missão de seus seguidores era pregar os ensinamentos por ele deixados com o objetivo de ampliar o conhecimento de suas promessas. Nessa época, os primeiros cristãos tiveram que enfrentar a oposição ferrenha das autoridades romanas que controlavam toda Palestina.
Durante o Império Romano os primeiros cristãos foram perseguidos, torturados, massacrados, queimados vivos ou devorados por leões nas arenas romanas.
Entretanto, a crise do Império Romano e a franca expansão dos praticantes dessa nova religião acabaram forçando o império a ceder a essa nova situação no interior de seus territórios. Por isso, ao longo do século IV, o catolicismo se tornou a religião oficial do Império Romano, favorecendo enormemente a expansão dessa religião ao logo de uma vasta região compreendendo a Europa, a África e partes do mundo oriental. Com isso, a Igreja adentra os últimos séculos da Antiguidade com expressivo poder.
Durante a Idade Média, a continuidade do processo de conversão religiosa se estendeu às populações bárbaras que invadiram os domínios romanos e consolidaram novos reinos. Entre esses reinos, destacamos o Reino dos Francos, onde se instituiu uma íntima relação entre os membros do clero e as autoridades políticas da época. A partir de então, a Igreja se tornou uma instituição influente e detentora de um grande volume de terras e fiéis.
Nesse período a Igreja tornou-se tão poderosa que, em muitas regiões da Europa, seu poder estava acima do poder dos reis.
Muitos católicos não via com bons olhos essa concentração de poder nas mãos dos líderes da Igreja. Isso porque, enquanto a Igreja pregava o total desapego às coisas materiais, seus líderes viviam uma vida de abundância, riqueza e poder.

A Pré-Reforma

Na realidade, as críticas à Igreja não eram novidade. Durante a Idade Média, em diversos momentos, surgiram movimentos de oposição, que foram denominados heresias. Entre eles destacam-se os valdenses, no século XII, que defendiam o fato de a Bíblia ser a única verdade, e que os leigos poderiam exercer as funções do clero. Foram duramente reprimidos. A igreja chegou até mesmo a criar o Tribunal de Inquisição (Século XIII), com o objetivo de combater as heresias.
No final do século XIV e início do século XV, dois outros movimentos contribuíram como crítica à Igreja: o de John Wiclef, na Inglaterra, e o de John Huss, na Boêmia (atual República Tcheca). O primeiro condenava o poder temporal da Igreja, admitia a livre interpretação da Bíblia e era contra o celibato. O segundo, bastante inspirado por Wiclef, pregou tais ideias na Universidade de Praga, onde era professor. condenado, foi morto na fogueira.

O contexto da Reforma

O processo de centralização monárquica, em andamento na Europa desde o final da Idade Média, tornou tenso o relacionamento entre os reis e a Igreja, até então detentora de sólido poder temporal. Além do domínio espiritual sobre a população, os membros do clero detinham o poder político-administrativo sobre os reinos. Roma - isto é, o papa - recebia tributos feudais provenientes das vastas extensões de terra controladas pela igreja em toda a Europa, e o advento dos Estados centralizados fez com que essa prática passasse a ser questionada pelos monarcas.
Ao mesmo tempo, a expansão comercial encontrava alguns obstáculos nas pregações da Igreja, que condenava a usura - cobrança de juros por empréstimos - e defendia o "justo preço" das mercadorias, ou seja, produção e comercialização não pelas leis de mercado, mas pelo que se considerava a correta remuneração do trabalho. A atividade bancária, por exemplo, ficaria comprometida na medida em os empréstimos a juros eram considerados pecado. Essas situações colocavam parte da burguesia em uma crise de religiosidade.
Um ingrediente poderoso na crise religiosa foi a desmoralização de parte do clero: abusos e poder excessivo de vários membros contradiziam suas pregações moralizadoras. O comércio de bens eclesiásticos, o uso da autoridade para garantir privilégios, o desrespeito ao celibato clerical e até a venda de cargos eclesiásticos não eram raros na Igreja desde o final da Idade Média. Mas o maior escândalo talvez fosse a venda de indulgências. As indulgências existiam havia muitos séculos no cristianismo, como obras que os fiéis deveriam fazer para compensar o mal originado pelos pecados que haviam confessado. Entretanto, no final da Idade Média, esse conceito foi distorcido e as obras foram substituídas por pagamentos a religiosos (incluindo o papa). Vale observar, no entanto, que esse desregramento moral não envolvia todo o corpo eclesiástico, já que muitas ordens religiosas e parte do clero tinham uma conduta austera e mantinham seus votos cristãos de acordo com as proposições iniciais da Igreja, de observância aos ensinamentos de Cristo.

A Reforma Luterana

O grande rompimento religioso iniciou-se na Alemanha, região do Sacro Império Romano e Germânico. A Alemanha era ainda basicamente feudal, agrária, com alguns enclaves mercantis ao norte. A Igreja era particularmente poderosa no Sacro Império, onde possuía cerca de um terço do total das terras. A nobreza alemã, por essa razão, estava ansiosa por diminuir a influência da instituição, além de cobiçar suas propriedades.
A Reforma teve início com Martinho Lutero, membro do clero e professor da Universidade de Witterberg. Em 1511 esteve em Roma, escandalizando-se com a situação de degradação moral em que vivia a corte papal. Em 1517, insurgiu-se contra a venda de indulgências, escrevendo um documento, conhecido como As noventa e cinco teses, que radicalizava publicamente suas críticas à Igreja e ao próprio papa. Em 1520, o papa Leão X redigiu uma bula condenando Lutero, exigindo sua retratação e ameaçando-o de excomunhão.
Lutero queimou a bula em público, agravando a situação. Estabeleceu-se uma verdadeira crise política, na qual a nobreza alemã dividiu-se, em parte a favor, mas, em sua maioria, contra o papa.
Em 1521, o imperador Carlos V convocou uma assembleia, a chamada Dieta de Worms, na qual o monge foi considerado herege.
Acolhido por parte da nobreza, Lutero passou a dedicar-se à tradução da Bíblia do latim para o alemão e a desenvolver os princípios da nova corrente religiosa. Mais tarde, em 1530, a Confissão de Augsburgo fundamentou a doutrina luterana.
Seu conteúdo incluía:
  • O princípio da salvação pela fé;
  • A livre leitura da bíblia;
  • A supressão do celibato clerical e das imagens sagradas;
  • A manutenção de apenas dois sacramentos: o batismo e a eucaristia;
  • Submissão da Igreja ao Estado.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

A América antes de Colombo


Não se sabe exatamente quantas pessoas viviam na América ao final do século XV, quando chegaram os primeiros navios europeus. As estimativas divergem: vão entre 12 milhões a 80 milhões de habitantes. Pesquisadores afirmam que essa população foi formada pela migração de povos vindos da China ao Alasca, pelo Estreito de Bering, há cerca de 50 mil anos.
Os homens daqueles tempos ainda não conheciam a agricultura e se deslocavam nos rastros das manadas de animais de caça. Desse modo, espalharam-se por todas as partes do mundo. Alguns estudiosos defendem a tese de que imigrantes vindos da Polinésia, pelo Oceano Pacífico, chegaram à América pré-colombiana.
Podia-se encontrar todo tipo de organização social entre os milhares de grupos do continente. Havia populações nômades caçando, pescando e coletando seu alimento - como, por exemplo, os tupinambás, os potiguares e os yanomamis no Brasil, os charuas no Uruguai e os esquimós no Alasca.
Surgiram também civilizações agrícolas sofisticadas, com estado centralizado, cidades enormes, produção em larga escala e forte atividade comercial. Os maias, os incas e os astecas alcançaram um estágio mais elevado de evolução cultural na América. Isso ainda hoje pode ser visto em monumentos e nas ruínas de suas cidades que tiveram quase meio milhão de habitantes cada.
Os incas e os astecas eram herdeiros de antigas e complexas tradições do continente e estavam no auge de sua civilização quando tiveram os primeiros contatos com os europeus. Os maias, por volta do XVI, já tinham praticamente desaparecido, incorporados ao Império Asteca.
Os incas habitaram a região andina, em um território que se estendia do que é hoje o norte do Chile até a atual Colômbia. Já os astecas viveram na Meso-américa, área que engloba o território ocupado pelo México e o norte da América Central.
Mesmo vivendo em regiões muito próximas, os povos andinos e mesoamericanos tiveram pouco contatos। Possuíam, porém, algumas características em comum. Dentre elas se destacam:


  • Organização política - era marcada pela forte centralização. Soberanos auxiliados por uma extensa burocracia, da qual fazia parte uma casta de nobres, sacerdotes, e guerreiros. Essa nobreza concentrava boa parte da riqueza do país. Já os maias tinham cidades independentes como as pólis gregas.

  • Agricultura - era a principal atividade econômica. O milho, a batata, a mandioca e o feijão eram os produtos mais importantes. Uma atividade comercial expressiva levou a abertura de quilômetros de estradas nos dois impérios, facilitando a circulação de pessoas e mercadorias.

Incas e astecas viviam em sociedades rigidamente hierarquizadas. A classe dominante, formada pelos nobres, sacerdotes e guerreiros, era sustentada pelo trabalho de uma numerosa população de servos e escravos. Tenochtitlán era a capital dos astecas com mais de quatrocentos mil habitantes no início do século XVI. Cuzco e Machu Picchu (hoje no Peru) foram importantes centros urbanos incas.


Ambos os povos possuíam conhecimentos de matemática, geometria e arquitetura que se manisfestavam nas gigantescas pirâmides (no caso dos astecas) e nas cidades que construíram, onde eram realizados cultos religiosos aos diversos deuses que eram adorados por esses povos. Os sacrifícios humanos eram uma prática constante nessas comunidades.


Apesar de não conhecerem o ferro e nem a roda, incas e astecas desenvolveram técnicas avançadas para a metalurgia do bronze, da prata e do ouro.


Os astecas estudavam os astros e tinham a noção de que a terra cumpria um ciclo em torno do Sol que durava 365 dias.


Astecas e maias desenvolveram uma forma de escrita pictográfica, isto é, o registro ou a ideia de uma narrativa em um conjunto de imagens.


Boa parte das escritas dos astecas foi recuperada e decifrada, fornecendo aos estudiosos uma imensa fonte de informações. A dos maias ainda resta quase indecifrável. Já os incas não tinham escrita, mas contavam com um complexo sistema de registros numéricos, usado para a contabilidade da produção e das atividades comerciais.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Expansão Marítima Espanhola


Os espanhóis estavam atrasados em relação aos portugueses, no processo de expansão marítimo-comercial. Sua unidade política só foi conseguida em 1469, graças ao casamento de Fernando, herdeiro do trono de Aragão, com Isabel, irmã do rei de Leão e Castela.
Em 1492, o navegador italiano Cristóvão Colombo ofereceu ao rei e à rainha da Espanha o projeto de alcançar as Índias navegando para o ocidente. Com isso, ele pretendia acabar com o monopólio português no Oriente e comprovar que a Terra era esférica. Mas em sua viagem para atingir o Oriente, navegando sempre em direção ao ocidente, Colombo encontrou, no meio do caminho, novas terras, que ele pensou serem as Índias. Na realidade, havia descoberto um novo continente, que depois foi chamado de América.
Entre 1519 e 1522, o navegador espanhol Fernão de Magalhães empreendeu a primeira viagem de navegação ao redor do mundo.
No século XVI, a descoberta e exploração de metais preciosos no Novo Mundo, em terras pertencentes aos reis espanhóis, transformou a Espanha na grande potência européia da época.

segunda-feira, 9 de março de 2009

O Governo Geral


A descentralização administrativa foi a principal causa para o insucesso da maioria das capitanias. Para tentar solucionar este problema, Portugal criou os Governos-Gerais (1548), com o objetivo de centralizar a administração e auxiliar os donatários.
O primeiro governador-geral foi Tomé de Souza ( 1549-1553). Esse governador edificou a cidade que seria a primeira capital da colônia: Salvador. Com ele chegaram os primeiros jesuítas, com a missão de catequizar os índios.
Duarte da Costa foi o segundo governador-geral. Em seu governo foi fundado um colégio, nas terras de Piratininga, que deu origem a cidade de São Paulo. Foi no seu governo também que ocorreu a invasão francesa ao Rio de Janeiro.
No governo de Mem de Sá, foram trazidos os primeiros escravos para a colônia. Expulsou os franceses e conteve a ameaça indígena, massacrando as tribos ou catequizando-as.

A economia açucareira
O processo de colonização foi desenvolvido com o objetivo de tornar as terras da colônia uma fonte de riqueza para Portugal. Essa relação de dominação é expressa pelo pacto colonial: a colônia torna-se uma região de exploração, provendo a Metrópole (Portugal) de recursos que permitissem o acúmulo de capitais.
Considerando que as terras coloniais não ofereciam um produto ou riquezas que permitissem a exploração, Portugal precisou introduzir um produto rentável no país. a opção agrícola portuguesa foi pela cana-de-açúcar.
Este produto era uma especiaria muito procurada na Europa e o Brasil oferecia condições favoráveis para o seu plantio (solo e clima). Foi implantada então uma estrutura açucareira baseada na monocultura, no latifúndio e na utilização da mão-de-obra escrava.
O local de produção era o engenho, composto basicamente pela casa grande, a senzala, capela e moenda.
Outras atividades econômicas desenvolveram-se vinculadas ao açúcar: a mandioca, a pecuária, o tabaco, aguardente e algodão.
A sociedade açucareira
Era rural, estratificada e patriarcal. No alto da pirâmide encontrava-se o senhor de engenho e sua família; logo abaixo, os funcionários graduados, os clérigos, os mercadores, os lavradores e trabalhadores livres; por último, os escravos, que constituíam a maioria da população.
A situação do escravo era quase sempre muito ruim. Alimentava-se pouco e exercia jornadas de trabalho extenuantes. A senzala parecia uma prisão, suja e quase sem mobiliário. As vestimentas constituíam-se de verdadeiros farrapos. Não é de se estranhar que as revoltas, fugas e suicídios fossem muito freqüentes nos engenhos.

A montagem do sistema colonial


Durante o período compreendido em 1500 e 1530, os portugueses preocuparam-se apenas em enviar para cá algumas expedições exploradoras e guarda-costas e em fundar feitorias sem grande importância.
A primeira expedição exploradora, comandada por Gaspar de Lemos, confirmou que a terra descoberta era muito maior do que se imaginava a princípio e que era rica em pau-brasil. Em face disso, o rei de Portugal, D. Manuel, resolveu arrendar a terra e permitir a exploração da madeira a um grupo de comerciantes chefiados por Fernão de Noronha. Mas essa economia não funcionou como colonizadora, já que não fixou nenhum europeu nas nossas terras.
As comunidades indígenas foram utilizadas no corte e transporte da madeira. A relação entre portugueses e índios denominou-se escambo: em troca do seu trabalho, os índios recebiam quinquilharias, como facas, tecidos, chapéus, machados e espelhos.

A colonização
A diferença da exploração do Brasil em relação às Índias era muito grande. As Índias possuíam população e civilização, comércio consolidado e produtos em abundância para comercializar.
Porém aqui havia a presença de estrangeiros que se aproveitavam do descaso português para freqüentar cada vez com mais audácia as costas brasileiras para contrabandear a madeira. Além disso, nas terras espanholas, começavam a surgir notícias de ouro. Para piorar, o comércio com as Índias, em face da concorrência dos países que entraram no comércio marítimo começava a não compensar os enormes gastos. Era preciso povoar o Brasil para protegê-lo e torná-lo rentável.
Aliando-se à burguesia, o rei de Portugal assumiu o povoamento, a defesa e a administração da terra. À burguesia cabia realizar os investimentos para tornar o comércio rentável, em benefício de si mesma e da metrópole.
Portugal organizou e enviou para cá uma primeira expedição colonizadora, com cinco navios e cerca de 400 homens, chefiada por Martim Afonso de Souza. Porém seriam necessárias muitas expedições como esta para garantir o domínio português nas terras brasileiras. E Portugal não tinha dinheiro para tanto. A solução foi ”privatizar” a colonização.
Portugal então introduziu na Brasil o sistema de Capitanias Hereditárias, já adotado, com sucesso, nas ilhas africanas, desde o século XV.
O rei dividiu as terras da colônia em paralelos, do litoral até o limite de Tordesilhas, em 15 lotes, que deram origem a 14 capitanias e foram entregues para 12 donatários, oriundos da pequena nobreza portuguesa, que se encarregaram do ônus da tarefa de colonizar.
Os donatários não eram os donos da terra das capitanias. Eles só tinham o direito da posse, podendo repassá-las aos herdeiros. Para incentivar os donatários, Portugal abriu mão de diversos direitos, fazendo-lhes concessões que estavam estabelecidas em dois documentos: as Cartas de Doação e os Forais. A Carta de Doação concedia ao donatário uma propriedade de 10 léguas da terra ao longo da costa, isenta de qualquer tributo, exceto o dízimo. O Foral estabelecia que a renda dos produtos da terra pertencia ao donatário, enquanto que os produtos do subsolo, mato e mar pertenciam à coroa. Ainda permitia aos donatários doação de sesmarias, ou seja, lotes de terras aos colonos, aos quais se vinculava a obrigação de cultivá-los.
Em geral, as capitanias cumpriram seus objetivos tendo contribuído imensamente para a preservação do domínio português. Por outro lado, o desenvolvimento das capitanias foi desigual, destacando-se somente São Vicente – cujo donatário era Martim Afonso de Souza – e Pernambuco – administrada por Duarte Coelho – que conseguiram recursos suficientes para desenvolver uma economia que lhes garantiu um crescimento adequado.

O “Descobrimento” do Brasil


No seu diário de bordo, Vasco da Gama registrou ter percebido sinais seguros da existência de terras a oeste da sua rota. Sabendo de tais indícios, D. Manuel , rei de Portugal, organizou uma grande esquadra, com treze navios e 1500 homens, para retornar às Índias, estabelecer relações diplomáticas e garantir o monopólio das especiarias. Essa missão foi chefiada por Pedro Álvares Cabral. A esquadra partiu no dia 9 de março de 1500 e, seguindo as orientações de Vasco da Gama, afastou-se da costa africana em direção ao oeste.
No dia 22 de abril de 1500, avistaram um monte, que denominaram Monte Pascoal. Depois de ser celebrada a missa tomando posse da terra, Cabral expediu um navio para Portugal para informar ao rei a descoberta de novas terras. Em seguida partiu para executar o roteiro oficial de sua viagem: as Índias.
Antes dos europeus aqui chegarem não havia Brasil, mas a terra onde centenas de nações indígenas, divididas em grandes grupos étnicos, viviam, com sua cultura bastante diferente da dos portugueses.
Em geral, não havia propriedade privada. Apenas os instrumentos de trabalho, como arco e as flechas, eram de propriedade individual. A divisão de trabalho era feita por sexo e idade. Aos homens, cabiam as tarefas de caça, pesca, preparo da terra para o plantio, construção das habitações e a guerra. Cada aldeia era governada por um chefe, que era auxiliado por um conselho formado pelas pessoas mais velhas e respeitadas da aldeia.
Nos primeiros contatos com os portugueses, os índios se mostraram bastante amistosos e curiosos. Os portugueses logo aproveitaram-se dessa situação para usá-los no corte e carregamento do pau-brasil. Por esses trabalhos recebiam quinquilharias sem valor como chapéus, faca, machado, espelho, etc.
Com o desenvolvimento da cultura açucareira, passaram a trabalhar como escravos. Na época do descobrimento, acredita-se que existiam cerca de 2 a 5 milhões de índios no território brasileiro. Já no século XVIII, após serem vitimados pelas doenças, exploração escrava, mortos em luta de resistência ou simplesmente abandonados a sorte após a destruição de sua cultura e habitat, não existiam mais que algumas dezenas de milhares de índios.

O pioneirismo de Portugal


A que se deveu o papel pioneiro desempenhado por Portugal no processo das Grandes navegações? Por que foi possível a esse país tão pequeno lançar-se ao Atlântico e construir um império transoceânico muito antes que o fizessem reinos maiores e mais poderosos.
As razões desse pioneirismo podem assim ser resumidas:
• Portugal possuía posição geográfica privilegiada em relação Atlântico.
• Possuía condições técnicas para a expansão marítima, desenvolvidas desde o governo de D. João I, no centro náutico fundado por seu filho, o infante D. Henrique, em Sagres, sul de Portugal.
• Possuía um grupo mercantil próspero e ávido de lucros.
• Possuía um Estado centralizado, o que permitia maior capacidade de arrecadação de tributos, necessários para o financiamento da expansão.
• Diferente dos demais Estados europeus, Portugal gozava de um período de relativa paz.
Diversos setores da sociedade portuguesa estavam interessados nos benefícios propiciados pelas navegações. Os motivos eram os mais variados e compreendiam, entre outros, aspectos políticos, econômicos e religiosos.
A monarquia portuguesa desejava fortalecer seu poder e construir um império. A nobreza vislumbrava na expansão territorial uma oportunidade para conquistar terras, riquezas, títulos e mais prestígio. A igreja, por sua vez, estava interessada em expandir a fé católica e aumentar o número de fies.
Para a burguesia, os motivos eram bastante evidente: a expansão territorial e o contato com outros povos só fariam aumentar as atividades comerciais e os lucros.

Pela costa da África
As conquistas de Portugal iniciaram-se por Ceuta, uma possessão árabe no norte da África, em 1415, e, continuamente ao longo de 83 anos, com a exploração e conquista das ilhas e regiões litorâneas da costa africana, ricas em madeira, ouro, marfim, peles e escravos. Nestes locais os portugueses realizaram uma experiência de colonização, implantando o cultivo da cana-de-açúcar e instalaram entrepostos comerciais denominados feitorias.
Em 1488, o navegador Bartolomeu Dias chegou ao Cabo das Tormentas, rebatizando de Cabo da Boa Esperança.
Esse último feito abriria caminho para a realização de um projeto mais ambicioso: chegar às Índias contornando a África.
Dez anos depois, Vasco da Gama contorna o mesmo cabo e, ingressando no Oceano Índico, chega a Calicute.
Imediatamente o navegador português deu início às transações mercantis com o Oriente. Seus navios voltaram carregados de especiarias.
Os outros países europeus demoraram a realizar a expansão em face de uma série de problemas, como guerras e invasões. A Espanha, por exemplo, só deu início ao projeto oceânico em 1492, quando os reis católicos Fernão e Isabel, financiaram o navegador genovês Cristóvão Colombo que acreditava poder chegar às Índias navegando pelo Oriente.
Cristóvão Colombo chegou à América em 1492 acreditando ter chegado às Índias. Essa descoberta espanhola, fosse novas terras ou as Índias, precisava ser garantida. Assim, os reis espanhóis buscaram a ajuda do Papa Alexandre VI, que elabora a Bula Inter Coetera em 1493, dividindo o mundo em duas partes, cabendo aos espanhóis todas as terras situadas a oeste de uma linha imaginária, que passaria a 100 léguas das ilhas de cabo Verde.
Portugal protestou a bula papal e, através de inúmeras negociações, conseguiu estender a linha imaginária para 370 léguas. Foi o Tratado de Tordesilhas, assinado em 1494.

A Expansão marítima européia


Dentre os acontecimentos que assinalam a passagem para os tempos modernos, destacam-se, pela profundidade de suas conseqüências, as Grandes Navegações.
Nessa época, os europeus contornaram a África, estabeleceram novas rotas comerciais com o Oriente, circunavegaram o mundo e chegaram às Américas. O expansionismo marítimo possibilitou aos europeus o domínio de várias regiões do mundo durante um longo período.
De forma geral, podemos dizer que os europeus foram impelidos a empreender as Grandes Navegações por duas razões econômicas: as necessidades de expandir o comércio e de obter grandes quantidades de metais preciosos.
Entretanto, nem só de causas econômicas se faz a história. Havia também naquelas circunstâncias uma confluência de outros estímulos: ambições pessoais, espírito aventureiro e fervor religioso. Na Península Ibérica, por exemplo, disseminou-se a idéia de que, uma vez expulso os muçulmanos do território, seria preciso propagar a fé cristã por todas as regiões do mundo.
Reunidos esses anseios, o Estado moderno, com sua monarquia fortalecida e unificada, surgiu como instrumento capaz de concretizá-los. Graças ao apoio da burguesia, aos impostos cobrados da população e aos empréstimos contraídos dos banqueiros, o rei pôde reunir o capital necessário para financiar as viagens marítimas.

O Atlântico como solução
Para entendermos as causas das grandes navegações, é preciso examinar as características européias a partir dos séculos XI a XIII, período denominado de Renascimento Comercial.
Ao longo desse período ocorreu na Europa um crescimento acentuado do comércio. Todo território europeu foi cortado por rotas comerciais; multiplicaram-se as feiras, onde os comerciantes se encontravam para negociar produtos locais ou especiarias e a seda das distantes Índias. Recomeçou a utilização das moedas, ressurgiram as cidades e a dinâmica da economia se acelerou. Ampliou-se a população e com ela a produção agrícola.
Este renascimento Comercial, porém, encontrou seu limite de crescimento na própria estrutura vigente, a estrutura feudal. Assim, o crescimento da população das cidades provocou uma crise no campo, incapaz de prover sustento para toda população; a produção de moeda acabou por provocar o esgotamento das minas; a exploração dos servos gerou revoltas por toda parte. O crescimento econômico então trouxe como conseqüência a necessidade de rever a estrutura político-econômica da Europa.

Anos de fome e de peste
Todo florescimento econômico ocorrido na Europa entre os séculos XI e XII, contudo, sofreu sério abalo a partir do século XIV. Por essa época, uma conjunção de fatores levou os europeus a enfrentar uma profunda crise econômica e social que transformou o continente em lugar de desolação, medo, fome e morte.
Um desses fatores foi a instabilidade decorrente da conquista de territórios do Império Bizantino pelos turcos otomanos a partir do século XIV. Os bizantinos eram parceiros comerciais da Europa ocidental e seu declínio fez com que a economia européia se retraísse.
Além disso, nesse período a sociedade européia foi assolada por secas prolongadas que prejudicaram a agricultura e deixaram parte da população sem alimento.
Para piorar, em meados do século XIV a Europa viveu uma das maiores catástrofes da sua história: a Peste Negra. A doença chegou em 1374 por meio de navio genovês vindo do Oriente e espalhou-se rapidamente pelo continente. Calcula-se que entre as décadas de 1340 a 1350 a Peste Negra tenha matado cerca de 25 milhões de pessoas, ou seja, quase um terço de toda população européia. Esses fatores, associados as guerras travadas entre os reinos europeus – Guerra dos Cem Anos, da Reconquista e das Duas Rosas, por exemplo – provocaram insatisfação generalizada em toda população.
A crise econômica precisava ser contornada com a descoberta de outras fontes de minérios e mercadorias; a crise política, com o fortalecimento do Estado, para conter as revoltas.
Expansão Marítima e Centralização monárquica passaram a ser os parâmetros para a superação da crise européia. Era o início de tempos modernos.

À procura de metais preciosos
Outro fator que levou os europeus a realizar as navegações foi a busca de metais preciosos. De fato, a expansão do comércio acarretava uma necessidade crescente desses metais para a cunhagem de moedas. Porém, boa parte do ouro e da prata existentes na Europa era destinada ao pagamento de mercadorias no comércio com o Oriente. Por isso, os dois metais se tornaram escassos no continente, forçando a procura por novas fontes fora da Europa.

terça-feira, 3 de março de 2009

A Baixa Idade Média e o Declínio do Feudalismo


"A Baixa Idade Média corresponde ao período entre os séculos XII e meados do século XV. Nesse momento histórico ocorreram inúmeras transformações no feudalismo, como o renasci­mento do mundo urbano e o reaquecimento das atividades comerciais; o fim do trabalho servil; o surgimento da burguesia; a centralização política nas mãos dos monarcas; e as crises da Igreja Católica. Toda a trama histórica levou o sistema feudal ao seu limite, produzindo uma grave crise que desembocou na transição para o capitalismo.

As transformações internas do feudalismo

A passagem do século X ao XI foi um momento de mudanças na Europa feudal. Com o fim das invasões bárbaras (vikings e magiares), o mundo medieval conheceu um período de paz, segurança e desenvolvimento.
O primeiro dado importante refletindo esse novo momento foi o aumento da população. O crescimento demográfico foi ocasionado pelo fim das guerras contra os bárbaros e pelo recuo das epidemias, gerando uma que­da da mortalidade. Além disso, ocorreu uma suavização do clima, proporcionando mais terras férteis e colheitas abundantes.
Esse crescimento implicou maior demanda de alimentos, estimulando o aperfeiçoamento das técnicas agrícolas para aumentar a produção. Assim, o arado de madeira foi substituído pela charrua (arado de ferro), facilitando o trabalho de aragem; a atrelagem dos animais foi aperfeiçoada, permitindo o uso do cavalo na tração; os animais passaram a ser ferrados; os moinhos foram melhorados; e o sistema trienal se estendeu por toda a Europa, proporcionando melhor qualidade e maior quantidade de produtos agrícolas.
No entanto, todo esse inegável desenvolvimento técnico foi limitado, não atendendo ao crescimento da população e, portanto, do consumo. Inicialmente novas terras foram ocupadas e desbravadas. Além disso, ocorreu um fenômeno histórico novo para a Idade Média, o êxodo rural, ou seja, parcelas consideráveis das populações rurais dirigiram-se para as cidades.

Esse crescimento implicou maior demanda de alimentos, estimulando o aperfeiçoamento das técnicas agrícolas para aumentar a produção. Assim, o arado de madeira foi substituído pela charrua (arado de ferro), facilitando o trabalho de aragem; a atrelagem dos animais foi aperfeiçoada, permitindo o uso do cavalo na tração; os animais passaram a ser ferrados; os moinhos foram melhorados; e o sistema trienal se estendeu por toda a Europa, proporcionando melhor qualidade e maior quantidade de produtos agrícolas.
No entanto, todo esse inegável desenvolvimento técnico foi limitado, não atendendo ao crescimento da população e, portanto, do consumo. Inicialmente novas terras foram ocupadas e desbravadas. Além disso, ocorreu um fenômeno histórico novo para a Idade Média, o êxodo rural, ou seja, parcelas consideráveis das populações rurais dirigiram-se para as cidades.

Renascimento urbano

As cidades, portanto, começaram a crescer durante a Idade Média a partir do desenvolvimento agrícola, que garantia o abastecimento, e das atividades de troca do excedente (a sobra da produção agrícola, resultado de uma quantidade maior de produtos do que as necessidades de consumo imediato), ou seja, do comércio.
O revigoramento do comércio trans­formou as villas, as cidades portuárias e as antigas regiões das feiras comerciais, que se tornaram permanentes. Várias cidades desenvolveram-se junto dos castelos e mosteiros fortificados, em razão da proteção proporcionada por seus muros. Provavelmente surge daí a denominação burgo para as cidades, pois essa palavra significa fortaleza e castelo (do latim burgo). Os que habitavam os burgos, exercendo atividades comerciais e manufatureiras, constituíram um novo segmento social no sistema feudal, conhecido como burguesia.

Como inicialmente as cidades eram patrocinadas pelos senhores feudais, os burgueses se submetiam à sua autoridade. Todavia, com o crescimento do comércio e o fortalecimento da burguesia, as cidades iniciaram movi­mentos de independência (movimentos comunais). Essas lutas ocorreram basicamente de duas maneiras:
a) as cidades alcançavam sua liberdade de forma pacífica, pela compra de cartas de franquia, que lhes asseguravam autonomia política e administrativa;
b) ou então através da luta violenta, muitas vezes com o apoio de alguns monarcas que procuravam se fortalecer diante dos senhores feudais.

Obtida a liberdade, as cidades passavam a ser governadas pelos setores mais enriquecidos do comércio e da manufatura, que organizavam seus setores e propiciavam o desenvolvimento econômico dos centros urbanos. Cada setor artesanal organizava-se de acordo com sua especialização (ferreiro, alfaiate, marceneiro, etc.), constituindo corporações de oficio (também conhecidas como guildas ou grêmios). Sua função era evitar a concorrência e, por isso, fixavam os preços dos produtos e os salários, controlavam a qualidade e a quantidade das mercadorias.
Em cada corporação havia uma rígida hierarquia, organizada do seguinte modo:

• mestre (dono da oficina);
• jornaleiro (assalariado);
• e o aprendiz, que trabalhava em troca de aprendizado do ofício, casa e alimentação.

No final da Idade Média essa divisão se acentuou com a monopolização da riqueza pelos mestres, que começaram a explorar a mão-de-obra assalariada. Portanto, lentamente o trabalhador servil foi desaparecendo das cidades.
Os comerciantes também organizavam suas corporações, conhecidas como hansas. A Liga Hanseática, reunião de várias hansas, destacou-se a partir de meados do século XIII (reunia inúmeras hansas de cidades da região de Flandres).
Mais ao norte, a Hansa Teutônica foi muito influente nas atividades comerciais, agrupando várias hansas na região da Alemanha.

Revigoramento comercial

Pois bem, é possível perceber que o reaquecimento das atividades comerciais ocorreu ao mesmo tempo que a produção agrícola e manufatureira crescia e as cidades se desenvolviam.
Nesse período dois setores artesanais se destacaram: o da construção e, principalmente, o têxtil. A primeira região manufatureira têxtil se concentrou em Flandres (séculos XII e XIII) e não sobreviveu à concorrência.O norte da Itália substituiu Flandres na produção manufatureira durante o século XIII. A partir do final desse século e no século XIV a Inglaterra se destacou na produção, deixando de ser apenas fornecedora de matéria-prima.
O comércio dos produtos agrícolas e manufaturados inicialmente cumpria a função de suprir demandas internas localizadas. Entretanto, o comércio internacional de longa distância era ao mesmo tempo mais perigoso e lucrativo. Suas atividades ocorriam entre o Mediterrâneo oriental e a Europa e internamente no continente europeu. As Cruzadas (expedições militares estimuladas pela Igreja Católica e organizadas pelos nobres cristãos, visando a libertação dos lugares santificados —Jerusalém, por exemplo —, domina­dos pelos muçulmanos) tornaram-se instrumentos fundamentais para a ampliação dessas atividades comerciais, pois elas asseguraram às cidades européias a hegemonia do comércio no Mediterrâneo.
Havia dois eixos comerciais funda­mentais que dominavam o comércio marítimo: no sul, Veneza e Gênova dominavam o comércio no mar Mediterrâneo; no norte, Flandres (Holanda e Bélgica). Entre esses dois pólos surgi­ram inúmeras rotas comerciais, fluviais e terrestres. O comércio ocorria nas grandes feiras, e as que mais se destaca­ram foram as da região de Champagne (França), bem no centro da Europa.
Com a Guerra dos Cem Anos (1337-1453, entre França e Inglaterra) o comércio terrestre foi muito prejudica­do, levando Champagne ao declínio e propiciando a ascensão de flandres. O comércio entre o norte da Europa e o sul da França passou a ocorrer através da navegação marítima, cruzando o estreito de Gibraltar. Portugal começou a despontar então como ponto de escala privilegiado, o que fomentou suas atividades comerciais portuárias.

A monetarização da economia

O crescimento urbano e comercial proporcional a afluência e o câmbio (troca) de moedas, que readquiriram função importante nas atividades comerciais. Nessa nova situação, destacou-se o mercador que lidava especificamente com as moedas: o cambista ou banqueiro.
Por meio da cobrança de taxas, esses mercadores cambiavam todo tipo de moeda, faziam empréstimos e emitiam títulos de valores, ou seja, certificados que garantiam a um comerciante a propriedade de determinada quantia de moedas, que ficavam sob guarda e proteção do banqueiro.
Desse modo, o comerciante ficava seguro contra possíveis assaltos e poderia realizar seus negócios apenas trocando esses certificados com outros banqueiros ou comerciantes. Os principais banqueiros do período, logicamente, concentra­ram-se nas cidades mais ricas: Gênova e Veneza.

Toda essa nova situação econômica não era mais compatível com o feudalismo, que acabaria sendo superado após uma grave crise do sistema. Assim, é possível perceber que, lentamente, o próprio sistema feudal criava novos elemententos que o desestruturam por dentro."

O feudalismo


Os termos feudal e feudalismo são modernos, usados para descrever uma sociedade que estava morrendo ou que já tinha desaparecido. A palavra feudal tem sua raíz no latim feudum: posse, propriedade ou domínio e, ao que parece, foi usada pela primeira vez em 1614. Já a palavra feudalismo só viria a ser usada no século XIX.
admite-se que a sociedade feudal originou-se na França, entre os séculos IX e X, com o declínio da monarquia Carolíngia. Na Inglaterra, originou-se, em 1066, com a conquista normanda. O feudalismo teria durado até o século XVI.

gênese
Durante o Império Romano, predominou o modo de produção escravista.
A partir do século III, o escravismo entrou em crise. A produção agrícola caiu. O comércio e a produção artesanal urbana retraíram-se.

Institições romanas
Vilas - durante a crise do Império Romano, os grandes proprietários foram em direção aos seus latifúndios, onde desenvolveram núcleos rurais e uma economia agrária de subsistência.

Colonatos - eram grupos de romanos que desenvolviam trabalhos agrícolas em troca de sobrevivência.

Clientela - relação social que caracterizava a dependência entre grupos inferiores frente aos superiores.

Instituições germânicas
Benefício - doação de terras como forma de pagamento. Deste termo surgiu o feudo. Pequena ou grande parcela de terra doada.

Comitatus - grupo formado por guerreiros e seus chefes. Tinham obrigações recíprocas e lealdade.

Economia agropastoril - a base da economia germânica era a agricultura e a criação de animais. Não existia o ideal de comercialização do excedente.

Portanto, a fusão de elementos da sociedade germânica com a romana resultou numa síntese que denominamos de sociedade feudal.

Principais características do feudalismo

Econômicos – Economia essencialmente agrária, natural e auto-suficiente: produzia-se para o consumo imediato.
Trabalho regulado pelas obrigações servis, fixadas pela tradição e pelo costume.

Políticas – Poder político descentralizado das mãos do rei. O poder local: cada domínio feudal era independente, ou seja, cada feudo era governado pelo seu senhor.
Relação entre a nobreza feudal baseadas nos laços de suserania e vassalagem: tornava-se suserano o nobre que doava um feudo a outro; e vassalo, o nobre que recebia o feudo.

Sociais – Sociedade rural e estamental, dividida em três estamentos ou ordens sociais, cada qual com uma função:
clero – oração
nobreza – defesa
campesinato – (servos e vilões) – trabalho
A sociedade feudal era principalmente rural, ou seja, quase todas as pessoas viviam no campo. O trabalho na agricultura era pesado e cansativo e os camponeses ficavam com poucos frutos, visto que as terras eram dos nobres.
Os nobres eram os donos da terras, também chamados de feudos. Como proprietários, o trabalho deles era pouco, em comparação com os servos.
Servos, não eram escravos porque não pertenciam aos nobres, já que não podiam ser vendidas para outro senhor feudal. Mas também não eram livres para irem para outro lugar ou outro feudo. Estes camponeses servos tinham direito de utilizar um pedaço da terra do feudo para uso próprio. Mas o senhor feudal não fazia investimentos na terra. Os instrumentos de trabalho como foices, machados e outros, pertenciam aos servos. Veja algumas das obrigações feudais:

Corvéia:era prestação de serviço gratuitos. Isto é, o servo trabalhava uns dias na semana de graça para o senhor feudal , em terras do seu senhor. Além de construir pontes, reparar estradas e outros trabalhos extras.
Talha: era a entrega de produtos gerados diretamente por trabalho servil. Parte da colheita do servo devia ser entregue ao senhor feudal. Isto incluía aves, alimentos e animais.
Banalidades: eram taxas criadas por qualquer motivo. Multas, impostos para compra de equipamentos e vários.

Tais obrigações servis ou melhor, direitos senhoriais, eram como consagrados pela tradição e variavam de acordo com a região. A relação entre senhor feudal e servo era bem prática: os servos trabalhavam enquanto os senhores feudais lhes garantiam proteção, em caso de guerras, e abrigo, no caso de calamidade. Mesmo assim, com essa suposta proteção, os camponeses não se conformavam tão facilmente com tanto trabalho me tanto tributo. Por isso haviam rebeliões, que infelizmente eram sufocadas de maneira violenta e cruel pelos nobres.
A economia do feudo era de subsistência , pois o feudo não produzia tantos excedentes,mas apenas o básico para sobreviver. or causa disso as cidades e o comércio eram pouco desenvolvidos.

O princípio de estratificação era privilégio de nascimento. Cada indivíduo permanecia preso à sua posição na sociedade, o que caracterizava uma imobilidade social e estabelecia um regime de desigualdade.

Culturais – Cultura teocêntrica, ou seja, todo o poder político girava em torno da autoridade religiosa, da fé.
Predomínio da Igreja, que determinava o modo de pensar e de viver da sociedade.
Condenação pela Igreja dos juros (usura) e do lucro.
Fenômenos naturais explicados pela fé. A sociedade medieval era profundamente religiosa. Era comum a celebração de ritos para fazer as plantas crescerem, para conseguir boa colheita, para pedir a chuva etc.

As Cruzadas

As Cruzadas são tradicionalmente definidas como expedições de caráter "militar" organizadas pela Igreja, para combaterem os inimigos do cristianismo e libertarem a Terra Santa (Jerusalém) das mãos desses infiéis. O movimento estendeu-se desde os fins do século XI até meados do século XIII. O termo Cruzadas passou a designá-lo em virtude de seus adeptos (os chamados soldados de Cristo) serem identificados pelo símbolo da cruz bordado em suas vestes. A cruz simbolizava o contrato estabelecido entre o indivíduo e Deus. Era o testemunho visível e público de engajamento individual e particular na empreitada divina.
Partindo desse princípio, podemos afirmar que as peregrinações em direção a Jerusalém, assim como as lutas travadas contra os muçulmanos na Península Ibérica e contra os hereges em toda a Europa Ocidental, foram justificadas e legitimadas pela Igreja, através do conceito de Guerra Santa - a guerra divinamente autorizada para combater os infiéis.
O movimento cruzadista foi motivado pela conjugação de diversos fatores, dentre os quais se destacam os de natureza religiosa, social e econômica. Em primeiro lugar, a ocorrência das Cruzadas expressava a própria cultura e a mentalidade de uma época. Ou seja, o predomínio e a influência da Igreja sobre o comportamento do homem medieval devem ser entendidos como os primeiros fatores explicativos das Cruzadas.
A ocorrência das Cruzadas Medievais deve ser analisada também como uma tentativa de superação da crise que se instalava na sociedade feudal durante a Baixa Idade Média. Por esta razão outros fatores contribuíram para sua realização.
Muitos nobres passam a encarar as expedições à Terra Santa como uma real possibilidade de ampliar seus domínios territoriais.
Aliada a esta questão deve-se lembrar ainda de que a sucessão da propriedade feudal estava fundamentada no direito de primogenitura. Esta norma estabelecia que, com a morte do proprietário, a terra deveria ser transmitida, por meio de herança, ao seu filho primogênito. Aos demais filhos só restavam servir ao seu irmão mais velho, formando uma camada de "nobres despossuídos" -- a pequena nobreza -- interessada em conquistar territórios no Oriente por meio das Cruzadas.

Consequências das Cruzadas
Os efeitos das Cruzadas se deixaram sentir principalmente na Europa, não no Oriente Médio. As Cruzadas foram responsáveis pela reabertura das rotas comerciais entre o Oriente e o Ocidente. Os cruzados haviam fortalecido o comércio das cidades italianas, haviam gerado um interesse pela exploração do Oriente e haviam estabelecido mercados comerciais de duradoura importância. Os experimentos do Papado e dos monarcas europeus para obter os recursos monetários para financiar as Cruzadas conduziram ao desenvolvimento de sistemas de impostos diretos de modo geral, que tiveram conseqüências a longo prazo para a estrutura fiscal dos estados europeus. Ainda que os estados latinos no Oriente tivessem uma vida curta, a experiência dos cruzados estabeleceu alguns mecanismos que gerações posteriores de europeus usariam e melhorariam, ao colonizar os territórios descobertos pelos exploradores dos séculos XV e XVI.

Abra o comentário e responta as questões.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

O Absolutismo Monárquico


Regime político surgido na Europa no final da idade média. Estendeu-se até a Idade moderna. O que caracterizava o absolutismo monárquico era o totalitarismo monárquico, ou seja, o poder sem limite, absoluto. Na atmosfera cultural e política da idade moderna, as palavras do rei era a palavra final, sem contestação.
Um exemplo disso é a famosa frase “O Estado Sou Eu” , proferida por Luíz XIV, conhecido como o “Rei Sol”, que governou a França entre 1661 e 1715. Essa visão do poder certamente era compartilhada por outros monarcas absolutistas da Europa.
A centralização política trouxe como conseqüência o absolutismo monárquico, passando o rei a ser identificado com o Estado e a constituir um dos elementos da unidade nacional, enquanto a população assume a condição de fiéis súditos de um mesmo monarca.

As características gerais dos Estados Modernos eram:
• Formação de um exército permanente;
• Imposição da justiça real;
• Centralização e unificação administrativa;
• Unificação do sistema de pesos e medidas;
• Arrecadação de impostos reais;
• Formação de uma burocracia.

Justificação monárquica

Dentro do processo de centralização política, encontramos as teorias que vão justificar a necessidade de concentração de plenos poderes por parte do rei. Quando se coloca em prática uma política seguida de um fundamento, torna-se mais fácil o convencimento e a estabilidade do sistema.

Alguns filósofos legitimaram essa visão em suas obras:

Nicolau Maquiavel (1469-1527) Foi o primeiro grande teórico do absolutismo. Escreveu, entre outras coisas, “O Príncipe”, em que justificou ser o absolutismo necessário para a manutenção do Estado forte.
Jean Bodin (1530-1596) Para quem o rei detinha a soberania (isso é, o poder de criar e revogar as leis) e no exercício dessa soberania, tinha o poder supremo sobre os súditos, sem nenhuma limitação;
Thomas Hobbes (1588-1679) Desenvolveu a teoria de que os seres humanos, em troca de segurança, haviam conferido toda a autoridade a um soberano.
Jacques Bossuet (1627-1704) Defendeu a teoria da origem divina do poder real. O poder do rei era absoluto porque provinha de Deus.

Sociedade Estamental
Quando o rei concentrou o poder em suas mãos, manteve como compensação muitos dos privilégios da nobreza e do clero, além da separação rígida entre diversos grupos sociais. Dessa forma, a sociedade permaneceu estamental.
Estamentos são grupos sociais definidos por relações de privilégios e de honra. A nobreza era um estamento baseado em privilégios adquiridos por nascimento. Quem nascia nobre nunca perdia essa condição. Da mesma forma, o camponês sempre seria camponês, e jamais poderia ser um nobre. Não havia, portanto, mobilidade social na sociedade estamental.
Na época da sociedade moderna, os estamentos eram chamados de Estados. O primeiro Estado era formado pelo clero; o segundo Estado, pela nobreza, e o terceiro Estado era composto pela maioria da população: camponeses, artesãos, comerciantes, trabalhadores assalariados. O terceiro Estado era desprovido de privilégios e não tinham poder de decisão na vida pública.
Por mais que os monarcas procurassem se aliar à burguesia e que a ideologia do absolutismo os colocasse acima das classes sociais, eles estavam diretamente ligados à nobreza de origem feudal. A essa estrutura feudal absolutista, na qual se entrelaçam antigas relações feudais e novas relações capitalistas de produção, dá-se o nome de Antigo Regime.

O Absolutismo Inglês
O Absolutismo na Inglaterra teve início após a Guerra das Duas Rosas. Essa guerra foi uma luta entre duas famílias nobres – os Lancaster e os York -, apoiadas por grupos rivais da nobreza. A guerra terminou com a ascensão de Henrique Tudor, apoiado pela burguesia.
O novo monarca subiu ao trono com o nome de Henrique VII e fundou a dinastia Tudor.
Seu reinado foi de 1485 a 1509.
Henrique VIII, segundo rei da dinastia, governou até 1547 e conseguiu impor sua
autoridade aos nobres, com o auxílio da burguesia. Fundador do anglicanismo, seu rompimento com a Igreja católica permitiu-lhe assumir o controle das propriedades
eclesiásticas na Inglaterra.
A rainha Elizabeth I, que reinou de 1558 a 1603, conseguiu aumentar ainda mais o poder real. Completou a obra de Henrique VIII, seu pai, consolidando a Igreja anglicana e perseguindo os adeptos de outras religiões. Foi durante seu reinado que teve início a colonização inglesa na América do Norte.
Elizabeth morreu sem deixar herdeiros e, por isso, subiu ao trono seu primo Jaime I, que deu início à dinastia Stuart. Durante seu reinado, que foi de 1603 a 1625, continuou a perseguição aos adeptos de outras religiões, muitos dos quais acabaram emigrando para a América do Norte.
Carlos I, filho e sucessor de Jaime I, subiu ao trono em 1625. Seu reinado, do mesmo
modo que o de seu pai, caracterizou-se pelo absolutismo e pelas perseguições religiosas.
Em 1642, os parlamentares e os burgueses iniciaram uma guerra contra o rei. Liderados por Oliver Cromwell, derrotaram Carlos I. Cromwell assumiu o poder com o título de "Lorde Protetor "e governou de 1649 a 1658.
Em 1651, Cromwell lançou o Ato de Navegação, que ilimitava a entrada e saída de
mercadorias da Inglaterra aos navios ingleses e aos navios dos países produtores ou
consumidores; com isso, prejudicava o comércio intermediário praticado pelos holandeses.
A partir de então, a Inglaterra passou a ser a grande potência marítima mundial, posição que manteve até o fim da Primeira Guerra Mundial, já no século XX.
Dois anos após a morte de Cromwell, ocorrida em 1658, o governo voltou às mãos dos
Stuart. Com isso, a Inglaterra teve mais dois soberanos de tendências absolutistas: Carlos II, que reinou de 1660 a 1685 e Jaime II, de 1685 a 1688.
Além de Ter tendências absolutistas, Jaime II era católico declarado. E seria substituído no trono pelo filho que tivera com sua segunda esposa, também católica. Com a primeira esposa, que era protestante, Jaime II só tivera duas filhas.
O Parlamento, temendo a volta ao catolicismo e ao absolutismo, uniu-se e resolveu
"convidar" o príncipe holandês Guilherme d’Orange, casado com Maria Stuart, filha mais velha de Jaime II, a invadir a Inglaterra e depor o rei, "a fim de restabelecer a liberdade e proteger a religião protestante ".
Em novembro de 1668, Guilherme desembarcou na Inglaterra com um exército de
14.000 homens, marchou sobre Londres e ocupou-a sem disparar um só tiro. Jaime II fugiu para a frança, e guilherme foi coroado rei com nome de Guilherme II. Essa revolução, ocorrida sem derramamento de sangue, denominou-se Revolução Gloriosa.
O novo rei, ao ser coroado, teve de jurar a Declaração de Direitos, que assegurava ao
Parlamento o direito de aprovar ou rejeitar impostos, garantia a liberdade individual e a propriedade privada. A Declaração de Direitos estabelecia também o princípio da divisão de poderes.
Com a revolução gloriosa, a burguesia, tendo o poder nas mãos, passou a promover o
desenvolvimento econômico da Inglaterra.

sábado, 6 de dezembro de 2008

A formação dos Estados Nacionais




Se você perguntar a um adolescente qual a sua nacionalidade ele certamente responderá: sou argentino, sou português, sou brasileiro, sou canadense, sou alemão. Mas se você fizesse essa mesma pergunta a um adolescente, por exemplo, do século XII ele não saberia responder. Não que os adolescentes de hoje são mais inteligentes que os do século XII. É que naquela época não havia países. Não nos modelos que conhecemos hoje. O máximo que eles responderiam era: sou da região dos Flandes, sou de Toulouse, sou do reino de Castela, sou da região da Toscana.
Esse blog é escrito em português e se algum internauta de qualquer lugar do mundo acessá-lo, o seu navegador se encarregará de traduzi-lo. Se no entanto, ele fosse escrito no século XII isso não seria necessário porque provavelmente eu o estaria escrevendo em latim. O latim era língua universal dos eruditos. As crianças naquela época não estudavam inglês, alemão, holandês ou italiano. Estudavam latim. Falava-se inglês, alemão etc., mas essas línguas só mais tarde passaram a ser escritas. O monge espanhol com sua Bíblia na Espanha lia as mesmas palavras latinas que eram lidas pelos monges de um mosteiro inglês.
A religião também era universal. Quem se considerasse cristão nascia na Igreja Católica. Não havia outra.
E, espontaneamente ou a contragosto, era necessário pagar impostos a essa Igreja e sujeitar-se às suas regras e regulamentos.
Os serviços religiosos em Southampton muito se assemelhavam aos de Gênova. Não havia limites estatais à religião.
Muita gente pensa hoje que as crianças nascem com o instinto de patriotismo nacional. Evidentemente isso não é verdade. O patriotismo nacional.. vem em grande parte de se ler e ouvir falar constantemente nos grandes feitos dos heróis nacionais. As crianças do século X não encontravam em seus livros didáticos desenhos de navios de seu país afundando os de um país inimigo.
Por uma razão muito simples: não havia países, tal como os conhecemos hoje.
Mas em fins da Idade Média, no decorrer do século XV, tudo isso se modificou. Surgiram nações, as divisões nacionais se tornaram acentuadas, as literaturas nacionais fizeram seu aparecimento, e regulamentações nacionais para a indústria substituíram as regulamentações locais. Passaram a existir leis nacionais, línguas nacionais e até mesmo Igrejas nacionais. Os homens começaram a considerar-se não como cidadãos de Madri, de Kent ou de Paris, mas como da Espanha, Inglaterra ou França. Passaram a dever fidelidade não à sua cidade ou ao senhor feudal, mas ao rei, que é o monarca de toda uma nação.
Mas como ocorreu essa evolução do Estado nacional? Foram muitas as razões políticas, religiosas, sociais, econômicas. É o que veremos a seguir.
Se vocês voltarem para o tópico "A Baixa Idade Média e o Declínio do Feudalismo", irão observar as transformações ocorridas nesse período. Entre elas está a formação de uma nova classe social: a burguesia. Quem eram os burgueses, lembram? Ricos comerciantes, banqueiros, mestres de ofícios... Na verdade, o surgimento dessa classe é que terá uma grande relevância para os acontecimentos do período. São eles que vão reivindicar melhorias para o comércio, para as estradas, para as cidades, para o desenvolvimento das transações comerciais entre as regiões próximas e distantes.
O mais rico é quem mais se preocupa com o numero de guardas que há em seu quarteirão. Os que se utilizam das estradas para enviar suas mercadorias ou dinheiro a outros lugares são os que mais reclamam proteção contra assaltos e isenção de taxas de pedágio. A confusão e a insegurança não são boas para os negócios. A classe média queria ordem e segurança.
Para quem se poderia voltar? Quem, na organização feudal, lhe podia garantir a ordem e a segurança? No passado, a proteção era proporcionada pela nobreza, pelos senhores feudais. Mas fora contra as extorsões desses mesmos senhores quê as cidades haviam lutado. Eram os exércitos feudais que pilhavam, destruíam e roubavam. Os soldados dos nobres, não recebendo pagamento regular pelos seus serviços, saqueavam cidades e roubavam tudo o que podiam levar. As lutas entre os senhores guerreiros freqüentemente representavam a desgraça para a população local, qualquer que fosse o vencedor. Era a presença de senhores diferentes em diferentes lugares ao longo das estradas comerciais que tornava.. os negócios tão difíceis. Necessitava-se de uma autoridade central, um Estado nacional", um poder supremo que pudesse colocar em ordem o caos feudal. Os velhos senhores já não podiam preencher sua função social. Sua época passara. Era chegado o momento oportuno para um poder central forte.
Na Idade Média, a autoridade do rei existia...teoricamente, mas de fato era fraca.
Os grandes barões feudais eram praticamente independentes. Seu poderio tinha de ser controlado, e realmente o foi.

As bases do poder real

As monarquias, com o intuito de se fortalecerem e garantirem sua soberania, investiram na criação de exércitos profissionais, disciplinados e fiéis à autoridade dos reis. A evolução das técnicas militares, com o surgimento da artilharia, tornou os exércitos reais mais poderosos. A cavalaria, organização bélica tradicional em que a nobreza assentava seu poder, tornou-se, aos poucos, obsoleta frente às novas técnicas de guerra.
Em uma época de insegurança gerada por constantes guerras, a coroa assumiu a responsabilidade de defender o reino, os bens e a segurança de seus súditos.
O desenvolvimento de um eficiente aparato administrativo, jurídico e burocrático também teve grande importância para legitimar a autoridade monárquica. Conselheiros militares, administrativos e financeiros foram recrutados para auxiliar o rei, que passou a contar com
ministros inspetores e cobradores de impostos.

O rei entre a nobreza e a burguesia

A consolidação do poder dos reis se deu por meio do apoio da nobreza e da burguesia. Embora tivesse que diminuir os poderes da nobreza para aumentar os seus e, ainda, combater alguns senhores feudais rebeldes, a monarquia não adotou somente atitudes hostis em relação aos nobres. A coroa também se aliava a esses nobres, procurando pacificá-los e atrai-los para o seu círculo de influência, concedendo-lhes altos cargos militares e administrativos do Estado, além de
privilégios, como isenções de impostos e pensões.
Por outro lado, os reis encontravam na burguesia uma importante aliada, pois esta fomentava as atividades comerciais, o que aumentava as rendas do Estado. Em troca, a monarquia facilitava os negócios da burguesia, oferecendo segurança para as rotas comerciais e padronizando a moeda, os pesos e as medidas.

A formação das Monarquias Ibéricas

No século X, a maior parte da península Ibérica era controlada pelos muçulmanos. A exceção era o norte, onde os povos cristãos se refugiaram e conseguiram manter sua independência. Do norte, os reinos cristãos de Leão, Castela e Aragão iniciaram a luta para recuperar seus territórios. A Reconquista, como ficou conhecido esse movimento, de reação cristã, ganhou impulso no século XI, quando o papa Alexandre II prometeu o perdão dos pecados àqueles que ajudassem os ibéricos na luta
contra os muçulmanos. Além da piedade religiosa, motivos materiais, como a conquista de terras e dos bens saqueados dos inimigos, também atraíram a ajuda de estrangeiros - principalmente de nobres franceses - , que colabararam com os cristãos ibéricos nessa luta.

O fim do Império Bizantino

Durante a Idade Média européia, a China e a Índia estiveram em paz. Por volta de 1200, os mongóis, pastores das estepes asiáticas, se unificaram sob a liderança de um chefe supremo - Gênghis Khan, “imperador de todos os homens”. Em menos de vinte anos conquistaram o centro da Ásia, a Pérsia e o Turquestão. Em 1222, penetraram na Rússia e se fixaram às margens do mar Negro. O neto de Gênghis Khan, Mon Khan, conquistou a China, até então independente, e avançou em direção à Europa. Os mongóis se estabeleceram na Hungria e chegaram até o mar Adriático. Seus sucessores preferiram centrar o império na China e iniciaram uma política de abertura para a Europa: durante o reinado de Kublai Khan, Marco Polo realizou sua viagem à China.
Essa política de boas relações acabou em 1370. O guerreiro turco Tamerlão, que conseguiu apoderar-se do império mongol, decidiu empreender a conquista da Europa.
A queda de Bizâncio
Os otomanos, que haviam sido derrotados pelos mongóis durante sua primeira tentativa de tomar Bizâncio, conseguiram, em 1453, conquistar a cidade. Era o fim do Império Bizantino, o antigo Império Romano do Oriente.
Bizâncio, desde então chamada Istambul, foi capital do Império Otomano durante muitos séculos.
Mas, derrotado por tropas cristãs de Espanha, Veneza e de Malta em 1571, o mundo muçulmano entra num período de lenta decadência.

O Fim da Idade Média

Nos dois últimos séculos da Idade Média, começaram a despontar os sinais dos novos tempos que revolucionaram a vida da humanidade a partir do século XV. Nesse período, a Europa experimentou uma série de mudanças: os reinos cristãos se consolidaram e expandiram suas fronteiras internas, o comércio de produtos de luxo e alimentos ganhou impulso.
A mudança das condições políticas, sociais, econômicas e culturais na Europa cristã do século XV definiu uma nova idade histórica: a Idade Moderna. Vimos que vários fatores contribuíram para enfraquecer o poder dos senhores feudais a partir do século XIII. A centralização e o fortalecimento dos Estados nacionais tiraram uma boa parcela de seu poder.
Durante os últimos dois séculos da Idade Média, a Europa feudal se expandiu. Novas terras foram colonizadas; a população aumentou. Havia uma necessidade real de ampliar a produção de alimentos.
A expansão atlântica foi a segunda expansão européia, por assim dizer. Do mesmo modo, a expansão comercial do final da Idade Média exigia metais preciosos, sobretudo ouro e prata.
Os “descobrimentos” do fim do século XV e início do século XVI ampliaram o espaço geográfico dos europeus. Povos que se desconheciam mutuamente entraram em contato. O capitalismo comercial aproveitou a expansão ultramarina e trouxe para a Europa novos produtos e oportunidades de investimento.
Os Estados nacionais se fortaleceram ainda mais com a formação de impérios coloniais ultramarinos: o sistema colonial do início dos tempos modernos visava aumentar a arrecadação de impostos da Coroa e enriquecer as monarquias nacionais. A economia
mundial capitalista estava prestes a nascer.
Ao mesmo tempo, surgiram uma nova mentalidade e uma nova ética. A reforma religiosa do início do século XVI ajudou a fixar novos padrões de comportamento, mais afinados com os novos tempos. As cidades tornaram-se os centros da nova cultura que surgiu na Idade Moderna.

domingo, 31 de agosto de 2008



A lenda de Rômulo e Remo
A lenda que narra a fundação da cidade de Roma é conhecida no mundo inteiro. O escritor Virgílio, autor da Eneida, conta que Enéias, um príncipe troiano, fugiu para a península Itálica depois que os gregos destruíram a cidade de Tróia. No Lácio, fundou a cidade de Alba Longa.
A lenda conta que Enéias foi sucedido por doze reis, até que houve uma briga entre dois irmãos que queriam ser os reis de Alba Longa.
A disputa pelo trono
O irmão que venceu, mandou matar os filhos e os netos do outro irmão. Os gêmeos, Rômulo e Remo, foram jogados pelo tio-avô no rio Tibre. Os deuses protegeram os meninos, que foram amamentados por uma loba e criados por uma familia de pastores.
Uma vez adultos, Rômulo e Remo voltaram para Alba Longa, mataram o tio-avô e devolveram o trono da cidade ao legítimo sucessor, o avô deles. O avô permitiu que eles fundassem uma cidade. Assim, Rômulo fundou a cidade de Roma, sobre sete colinas, junto com alguns seguidores.
O governo dos romanos
A lenda narrada por Virgílio também revela que depois de Rômulo, a cidade de Roma teve sete reis. Rômulo matou seu irmão, Remo, e foi o primeiro rei de Roma. Ele organizou o Senado, uma das principais instituições de governo em Roma, e dividiu a sociedade romana em dois grupos: os patrícios e os plebeus. Rômulo foi sucedido por outros três reis romanos. Depois disso, Roma foi governada por três reis etruscos, conforme já vimos.
A sociedade romana
Vejamos, agora, como era a sociedade romana durante a monarquia. O povo romano era formado pelos descendentes das famílias que teriam participado da fundação de Roma. Eles eram os patrícios, descendentes dos fundadores da cidade. Só eles podiam ocupar os cargos públicos e governar. Além disso, tinham se apossado das melhores terras da região e formavam uma aristocracia de várias famílias ligadas por laços de parentesco. Cada família formava uma gens. Os chefes das gens integravam o Senado romano.
Os patrícios romanos se reuniam numa assembléia chamada comício, para propor e votar as leis da cidade. Os patrícios eram classificados em trinta grupos de famílias chamados de cúrias. O comícios curiados escolhiam os reis e os demais funcionários do governo.
O outro grupo da sociedade romana era constituído pelos plebeus. A plebe era formada pelos estrangeiros e pelos romanos que não tinham um antepassado que houvesse participado da fundação da cidade. Os plebeus viviam livremente em Roma, embora não tivessem direitos e não participassem do governo.
Para melhorar a situação de vida, muitos plebeus se tornavam protegidos, ou clientes, de alguma família patrícia. Em troca, tinham de prestar favores a esses patrícios.
Roma também contava com um grande número de escravos. Os escravos eram tratados como se fossem coisas. Eles nem existiam na legislação romana. Os plebeus que não pudessem pagar suas dívidas e os prisioneiros de guerra eram escravizados.



A família romana
A família teve um papel muito importante dentro da sociedade romana. Toda a organização da sociedade girava em torno dos laços de parentesco, e estes laços, por sua vez, estavam ligados à religião.
A família romana era formada por todos aqueles que prestavam homenagem a um antepassado. Isso incluía o pai, a mãe, os filhos, os clientes e até os escravos.
A autoridade do pai era absoluta dentro de casa. Ele tinha poder de vida e morte sobre a mulher e os filhos. A figura da mãe era muito respeitada e gozava de muito prestígio. Apesar disso, a mulher não participava da vida pública nem tinha independência dentro de casa: lá era subordinada ao pai, ao marido ou ao filho mais velho.



A religião
Os romanos eram muito religiosos. Mas eram tão supersticiosos que achavam que tinham de adotar os deuses dos povos com os quais entravam em contato para facilitar a convivência entre ambos. Graças a isso, a religião romana assimilou as crenças de vários povos.
Os latinos praticavam o culto doméstico, veneravam os espíritos dos antepassados e os lares, os gênios protetores da casa. O pai da família desempenhava o papel de sacerdote.
Cada cidade tinha seu altar com fogo sagrado no templo de Vesta, a deusa protetora do Estado. Lá, as vestais, virgens de famílias importantes, alimentavam o fogo sagrado.
Sob o domínio dos etruscos, os latinos adotaram os deuses deles, seus rituais de adivinhação e presságios. A partir desse momento, tais rituais marcaram profundamente a vida pública romana. Nessa época, os latinos assimilaram também os rituais sanguinários - as lutas entre gladiadores.
Dos gregos, os romanos assimilaram os deuses do Olimpo, embora lhes tenham trocado os nomes.



Roma republicana (509 a.C.-27 a.C.)
O estabelecimento da república coincide com a expulsão dos etruscos
e o início da expansão territorial de Roma. Inicialmente, os patrícios mantiveram
os privilégios que tinham sob a monarquia. Com o passar do tempo,
foram obrigados a partilhar o poder: os plebeus lutaram para conquistar
o direito de participação no governo. Nessa época surgiu entre os romanos
um forte ideal militar. Em breve, dominariam todo o Mediterrâneo ocidental
e oriental.



As autoridades republicanas
A queda da monarquia romana não significou uma mudança no governo da cidade. A aristocracia patrícia continuou governando, apesar das pressões dos plebeus. A república era governada pela classe dos patrícios. As únicas novidades que a república trouxe, em termos de governo, foram as seguintes:



  • O rei foi substituído por dois cônsules - uma vez por ano, cada cônsul era eleito pelas cúrias patrícias; eles tinham os mesmos poderes que os reis.

  • Em casos excepcionais, ou seja, em caso de guerra ou de algum acidente muito grave, os cônsules eram substituídos por um ditador, que governava durante seis meses; não precisava consultar ninguém para governar, e tinha até direito de vida e morte sobre os cidadãos romanos.

  • O Senado, formado por trezentos membros vitalícios, ou seja, que só eram substituídos quando morriam, assumiu papéis cada vez mais importantes, tais como o controle sobre fundos públicos e o poder de veto sobre os atos da Assembléia, formada por patrícios romanos escolhidos pelas gens.


As lutas sociais entre patrícios e plebeus
A desigualdade social imposta pelos patrícios sobre o resto dos romanos foi contestada pelos plebeus, que lutaram durante duzentos anos para conquistar os mesmos direitos dos patrícios. No final desses duzentos anos, os plebeus conquistaram muitos desses direitos sociais. A diferença que existia entre patrícios e plebeus praticamente desapareceu.
Essas conquistas foram possíveis porque os plebeus formavam a maioria das tropas romanas. Se eles lutavam nas guerras, era justo que eles também participassem do governo da cidade. Com o passar do tempo, os patrícios não tiveram outra saída senão ceder às pressões dos plebeus.



Os magistrados plebeus
Uma das primeiras conquistas dos plebeus foi a possibilidade de terem representantes, magistrados, no governo romano: eram os tribunos da plebe, que defendiam os interesses dos plebeus. Os edis, inspetores plebeus, ajudavam o trabalho dos tribunos, vigiavam a limpeza da cidade, controlavam os preços dos mercados e exerciam certas funções policiais.
Para equilibrar essas conquistas, os patrícios criaram os censores, que também eram patrícios. Eles eram encarregados de fazer as listas de todos os candidatos a cargos públicos e os julgavam, para ver se eram dignos de ocupá- los. Muitas vezes, os censores não permitiam que os candidatos que defendiam os interesses dos plebeus chegassem ao governo.



As leis escritas
Outra conquista dos plebeus foi o acesso às leis romanas. Só os patrícios podiam julgar as disputas que surgiam entre as pessoas, pois só eles conheciam as leis. Os plebeus não tinham como se defender.
Em 454 a.C., formou-se uma comissão de dez juízes que se encarregaram de escrever as leis. A publicação da Lei das Doze Tábuas, assim chamada porque estava escrita em doze pranchas de bronze, facilitou a defesa dos plebeus, e foi o ponto de partida do direito romano.



As assembléias populares
Com o passar do tempo, os plebeus conseguiram o direito de participar dos comícios. As leis começaram a ser discutidas nas assembléias dos integrantes das centúrias. Cada centúria constituía um batalhão do exército. Essas assembléias eram chamadas de comícios centuriados. Como todos os romanos faziam parte do exército, todos participavam desses comícios. Apesar disso, os patrícios ainda tinham mais poder: o exército era formado levando em conta a riqueza dos cidadãos.
Em 470 a.C., a cidade foi dividida em bairros chamados tribos. Cada bairro formava uma assembléia que tinha direito a voto. Nesses comícios por tribos, que também eram chamados de plebiscitos, os plebeus sempre eram a maioria. No início, os patrícios não aceitaram as decisões tomadas pelos plebiscitos. Mas, com o passar do tempo, tiveram de se submeter a essa conquista da plebe.



  • As leis licínias, promulgadas em 367 a.C., obrigavam um dos dois cônsules a ser plebeu.

  • As leis canuléias, promulgadas em 345 a.C., permitiam que os plebeus se casassem com patrícios.

Depois das conquistas obtidas pelos plebeus, todo cidadão romano podia candidatar-se a qualquer cargo público e exercê-lo, fosse ele plebeu ou mesmo patrício.


A expansão romana na Península Itálica


Quando as lutas sociais se apaziguaram, Roma pôde dispor de seu poderoso exército para conquistar a Península Itálica, avançando em direção ao norte (terra dos etruscos) e ao sul, vencendo os samnitas e os gregos. Após dominar a região da Magna Grécia, em 265 a.C., Roma era dona absoluta da península Itálica. Suas aspirações, agora, incluíam terras de além-mar.



As guerras púnicas (264 a. C-146 a. C.)
Depois da conquista da península Itálica, Roma se tornou uma das cidades mais poderosas do Mediterrâneo. Era inevitável, portanto, que seus interesses se chocassem com os de um vizinho muito poderoso: Cartago.
No norte da África, a cidade de Cartago era o centro de um próspero império comercial de origem fenícia. O duelo entre romanos e cartagineses durou 120 anos e se desenvolveu em três etapas.
Foram as chamadas guerras púnicas ("púnico", vem do latim poemi, quer dizer fenício).



  • Na primeira guerra púnica (264 a. C.- 240 a. C.), Roma conseguiu tomar a ilha da Sicília.

  • Na segunda guerra púnica (220 a. C.- 202 a. C.), Roma lutou contra o grande general cartaginês Aníbal, que conseguiu várias vitórias mas não foi capaz de impedir os romanos de reafirmar seu poder sobre a península.

  • Cinqüenta anos após a derrota, Cartago tinha renascido, graças ao comércio. Roma não se conformou e atacou novamente: foi a terceira guerra púnica (150 a. C.-146 a. C.).

Em 146 a.C., Cartago foi totalmente arrasada, e seus habitantes, degolados. O Senado romano ordenou que se passasse um arado sobre as ruínas da cidade, salgou a terra e declarou o território amaldiçoado.
A partir desse momento, o norte da África transformou-se em mais uma província romana. Senhora absoluta do Mediterrâneo, Roma empreendeu a conquista do Oriente, tomando territórios da Grécia e da Síria.

Da crise da República ao fim do Império Romano



A conquista de novos territórios acabou enriquecendo um pequeno grupo de famílias que se encarregaram de governar e administrar as riquezas. Ser governador de uma província era o mesmo que ter ganho um atestado de riqueza. Foi assim que um pequeno grupo, ligado ao Senado, tornou-se praticamente dono da república.
As causas das lutas sociais
Após as guerras, as terras conquistadas eram repartidas entre soldados e colonos romanos. Na realidade, essas terras foram entregues a minorias privilegiadas, ligadas ao Senado. Formaram-se, assim, grandes propriedades, chamadas latifúndios, cultivadas por milhares de escravos, que chegavam como prisioneiros de guerra.
Com a mão-de-obra gratuita dos escravos, os produtos dos latifúndios chegavam a Roma com preços muito baixos, arruinando os pequenos produtores. Para saldar suas dívidas, os colonos tiveram de vender suas terras aos próprios ricos, e acabaram por se juntar ao imenso batalhão de desempregados e mendigos que viviam em Roma.
Não demorou para que se formassem dois partidos, cujos interesses eram radicalmente opostos.



  • De um lado, o Partido Senatorial, formado pela minoria, queria que as
    coisas ficassem como estavam.

  • Do outro lado, o Partido Popular, mais numeroso, mas carente de líderes
    que o organizassem, lutava para diminuir os poderes do Senado.

A luta entre os partidos foi áspera e violenta, e terminou numa sangrenta guerra civil.



Os reformistas
Nesse clima de disputa, surgiram personagens que se dedicaram a promover reformas para melhorar a situação social da maioria dos cidadãos.
O líder do Partido Popular não demorou a surgir. Em 133 a. C., Tibério Graco foi eleito tribuno. Apesar de ser de uma família patrícia, Tibério simpatizava com as causas populares. Ele propôs a lei da Reforma Agrária, em que o Estado deveria dividir as terras em benefício das famílias pobres.
Os ricos, ligados ao Partido Senatorial, assassinaram Tibério e o seu projeto foi esquecido. Dez anos depois, seu irmão mais novo, Caio Graco, aprovou leis que beneficiaram os pobres, distribuindo comida e combatendo o desemprego. Também propôs medidas simpáticas ao Partido Senatorial. Quando tentou conceder a cidadania romana aos demais habitantes da península Itálica, enfrentou a oposição de ricos e pobres. Perseguido pelo Partido Senatorial, suicidou-se em 121 a.C.
Pouco tempo depois do assassinato de Caio Graco, o partido Popular elegeu Caio Mário, militar filho de camponeses. Os sucessos militares de Mário fortaleceram sua posição no partido. A partir desse momento, o exército romano deixou de ser nacional para tornar-se uma força fiel ao chefe. Mário foi eleito cônsul durante seis anos seguidos. Apesar disso, as tão desejadas reformas não se concretizaram.



A primeira guerra civil
Enquanto os dois partidos se desafiavam, aconteceu uma rebelião na Ásia Menor. O Senado declarou a guerra contra Mitridates, rei do Ponto, e nomeou Sila, líder do Partido Senatorial, que já havia sufocado uma revolta de italianos contra o poder romano, como comandante do exército. O Partido Popular não aceitou a nomeação de Sila. Foi o início da guerra civil.
Os dois partidos lutaram nas ruas até que Sila venceu. O Partido Popular foi esmagado e o Partido Senatorial revogou todas as leis que concediam benefícios aos pobres.
Quando terminou a guerra contra Mitridates, Sila teve de voltar para Roma às pressas. Mário havia retornado e iniciado a perseguição aos senatoriais. Sila tornou a entrar com suas tropas em Roma, disposto a derrotar Mário definitivamente. Mário morreu no meio do conflito; e os populares, mal-organizados, não conseguiram enfrentar as tropas de Sila. Após uma terrível matança, Sila dominou a cidade.
O Senado o nomeou ditador perpétuo. Sila decretou a pena de morte para os membros do Partido Popular. Milhares de pessoas foram vítimas de torturas e assassinatos. Sila também aproveitou para reformar as leis, conforme os interesses de seu partido.



  • O Senado se transformou na autoridade máxima da república.

  • Os tribunos e os comícios populares perderam todo o poder.

Em contrapartida, Sila incentivou a construção de obras públicas e distribuiu terras entre os soldados, para diminuir o desemprego. Em 79 a.C., Sila devolveu seus poderes ao Senado e etirou-se.



A luta pelo poder
Depois da retirada de Sila, a liderança do Partido Senatorial ficou por conta dos novos cônsules, os generais Pompeu e Crasso. Eles revogaram as leis repressivas, restabeleceram o poder dos tribunos e diminuíram o poder do Senado. Dessa maneira, a situação política ficou mais equilibrada.
Apesar disso, Roma teve de lidar com várias revoltas, como a de Espártaco, em 72 a.C., que comandou uma sublevação de mais de 70 mil escravos. Também os piratas do Mediterrâneo, aproveitando a confusão, desorganizaram o comércio de Roma.
Esses acontecimentos proporcionaram um bom pretexto para que Pompeu aumentasse sua popularidade, esmagando o que restava da sublevação de escravos.