sábado, 6 de dezembro de 2008

A formação dos Estados Nacionais




Se você perguntar a um adolescente qual a sua nacionalidade ele certamente responderá: sou argentino, sou português, sou brasileiro, sou canadense, sou alemão. Mas se você fizesse essa mesma pergunta a um adolescente, por exemplo, do século XII ele não saberia responder. Não que os adolescentes de hoje são mais inteligentes que os do século XII. É que naquela época não havia países. Não nos modelos que conhecemos hoje. O máximo que eles responderiam era: sou da região dos Flandes, sou de Toulouse, sou do reino de Castela, sou da região da Toscana.
Esse blog é escrito em português e se algum internauta de qualquer lugar do mundo acessá-lo, o seu navegador se encarregará de traduzi-lo. Se no entanto, ele fosse escrito no século XII isso não seria necessário porque provavelmente eu o estaria escrevendo em latim. O latim era língua universal dos eruditos. As crianças naquela época não estudavam inglês, alemão, holandês ou italiano. Estudavam latim. Falava-se inglês, alemão etc., mas essas línguas só mais tarde passaram a ser escritas. O monge espanhol com sua Bíblia na Espanha lia as mesmas palavras latinas que eram lidas pelos monges de um mosteiro inglês.
A religião também era universal. Quem se considerasse cristão nascia na Igreja Católica. Não havia outra.
E, espontaneamente ou a contragosto, era necessário pagar impostos a essa Igreja e sujeitar-se às suas regras e regulamentos.
Os serviços religiosos em Southampton muito se assemelhavam aos de Gênova. Não havia limites estatais à religião.
Muita gente pensa hoje que as crianças nascem com o instinto de patriotismo nacional. Evidentemente isso não é verdade. O patriotismo nacional.. vem em grande parte de se ler e ouvir falar constantemente nos grandes feitos dos heróis nacionais. As crianças do século X não encontravam em seus livros didáticos desenhos de navios de seu país afundando os de um país inimigo.
Por uma razão muito simples: não havia países, tal como os conhecemos hoje.
Mas em fins da Idade Média, no decorrer do século XV, tudo isso se modificou. Surgiram nações, as divisões nacionais se tornaram acentuadas, as literaturas nacionais fizeram seu aparecimento, e regulamentações nacionais para a indústria substituíram as regulamentações locais. Passaram a existir leis nacionais, línguas nacionais e até mesmo Igrejas nacionais. Os homens começaram a considerar-se não como cidadãos de Madri, de Kent ou de Paris, mas como da Espanha, Inglaterra ou França. Passaram a dever fidelidade não à sua cidade ou ao senhor feudal, mas ao rei, que é o monarca de toda uma nação.
Mas como ocorreu essa evolução do Estado nacional? Foram muitas as razões políticas, religiosas, sociais, econômicas. É o que veremos a seguir.
Se vocês voltarem para o tópico "A Baixa Idade Média e o Declínio do Feudalismo", irão observar as transformações ocorridas nesse período. Entre elas está a formação de uma nova classe social: a burguesia. Quem eram os burgueses, lembram? Ricos comerciantes, banqueiros, mestres de ofícios... Na verdade, o surgimento dessa classe é que terá uma grande relevância para os acontecimentos do período. São eles que vão reivindicar melhorias para o comércio, para as estradas, para as cidades, para o desenvolvimento das transações comerciais entre as regiões próximas e distantes.
O mais rico é quem mais se preocupa com o numero de guardas que há em seu quarteirão. Os que se utilizam das estradas para enviar suas mercadorias ou dinheiro a outros lugares são os que mais reclamam proteção contra assaltos e isenção de taxas de pedágio. A confusão e a insegurança não são boas para os negócios. A classe média queria ordem e segurança.
Para quem se poderia voltar? Quem, na organização feudal, lhe podia garantir a ordem e a segurança? No passado, a proteção era proporcionada pela nobreza, pelos senhores feudais. Mas fora contra as extorsões desses mesmos senhores quê as cidades haviam lutado. Eram os exércitos feudais que pilhavam, destruíam e roubavam. Os soldados dos nobres, não recebendo pagamento regular pelos seus serviços, saqueavam cidades e roubavam tudo o que podiam levar. As lutas entre os senhores guerreiros freqüentemente representavam a desgraça para a população local, qualquer que fosse o vencedor. Era a presença de senhores diferentes em diferentes lugares ao longo das estradas comerciais que tornava.. os negócios tão difíceis. Necessitava-se de uma autoridade central, um Estado nacional", um poder supremo que pudesse colocar em ordem o caos feudal. Os velhos senhores já não podiam preencher sua função social. Sua época passara. Era chegado o momento oportuno para um poder central forte.
Na Idade Média, a autoridade do rei existia...teoricamente, mas de fato era fraca.
Os grandes barões feudais eram praticamente independentes. Seu poderio tinha de ser controlado, e realmente o foi.

As bases do poder real

As monarquias, com o intuito de se fortalecerem e garantirem sua soberania, investiram na criação de exércitos profissionais, disciplinados e fiéis à autoridade dos reis. A evolução das técnicas militares, com o surgimento da artilharia, tornou os exércitos reais mais poderosos. A cavalaria, organização bélica tradicional em que a nobreza assentava seu poder, tornou-se, aos poucos, obsoleta frente às novas técnicas de guerra.
Em uma época de insegurança gerada por constantes guerras, a coroa assumiu a responsabilidade de defender o reino, os bens e a segurança de seus súditos.
O desenvolvimento de um eficiente aparato administrativo, jurídico e burocrático também teve grande importância para legitimar a autoridade monárquica. Conselheiros militares, administrativos e financeiros foram recrutados para auxiliar o rei, que passou a contar com
ministros inspetores e cobradores de impostos.

O rei entre a nobreza e a burguesia

A consolidação do poder dos reis se deu por meio do apoio da nobreza e da burguesia. Embora tivesse que diminuir os poderes da nobreza para aumentar os seus e, ainda, combater alguns senhores feudais rebeldes, a monarquia não adotou somente atitudes hostis em relação aos nobres. A coroa também se aliava a esses nobres, procurando pacificá-los e atrai-los para o seu círculo de influência, concedendo-lhes altos cargos militares e administrativos do Estado, além de
privilégios, como isenções de impostos e pensões.
Por outro lado, os reis encontravam na burguesia uma importante aliada, pois esta fomentava as atividades comerciais, o que aumentava as rendas do Estado. Em troca, a monarquia facilitava os negócios da burguesia, oferecendo segurança para as rotas comerciais e padronizando a moeda, os pesos e as medidas.

A formação das Monarquias Ibéricas

No século X, a maior parte da península Ibérica era controlada pelos muçulmanos. A exceção era o norte, onde os povos cristãos se refugiaram e conseguiram manter sua independência. Do norte, os reinos cristãos de Leão, Castela e Aragão iniciaram a luta para recuperar seus territórios. A Reconquista, como ficou conhecido esse movimento, de reação cristã, ganhou impulso no século XI, quando o papa Alexandre II prometeu o perdão dos pecados àqueles que ajudassem os ibéricos na luta
contra os muçulmanos. Além da piedade religiosa, motivos materiais, como a conquista de terras e dos bens saqueados dos inimigos, também atraíram a ajuda de estrangeiros - principalmente de nobres franceses - , que colabararam com os cristãos ibéricos nessa luta.

O fim do Império Bizantino

Durante a Idade Média européia, a China e a Índia estiveram em paz. Por volta de 1200, os mongóis, pastores das estepes asiáticas, se unificaram sob a liderança de um chefe supremo - Gênghis Khan, “imperador de todos os homens”. Em menos de vinte anos conquistaram o centro da Ásia, a Pérsia e o Turquestão. Em 1222, penetraram na Rússia e se fixaram às margens do mar Negro. O neto de Gênghis Khan, Mon Khan, conquistou a China, até então independente, e avançou em direção à Europa. Os mongóis se estabeleceram na Hungria e chegaram até o mar Adriático. Seus sucessores preferiram centrar o império na China e iniciaram uma política de abertura para a Europa: durante o reinado de Kublai Khan, Marco Polo realizou sua viagem à China.
Essa política de boas relações acabou em 1370. O guerreiro turco Tamerlão, que conseguiu apoderar-se do império mongol, decidiu empreender a conquista da Europa.
A queda de Bizâncio
Os otomanos, que haviam sido derrotados pelos mongóis durante sua primeira tentativa de tomar Bizâncio, conseguiram, em 1453, conquistar a cidade. Era o fim do Império Bizantino, o antigo Império Romano do Oriente.
Bizâncio, desde então chamada Istambul, foi capital do Império Otomano durante muitos séculos.
Mas, derrotado por tropas cristãs de Espanha, Veneza e de Malta em 1571, o mundo muçulmano entra num período de lenta decadência.

O Fim da Idade Média

Nos dois últimos séculos da Idade Média, começaram a despontar os sinais dos novos tempos que revolucionaram a vida da humanidade a partir do século XV. Nesse período, a Europa experimentou uma série de mudanças: os reinos cristãos se consolidaram e expandiram suas fronteiras internas, o comércio de produtos de luxo e alimentos ganhou impulso.
A mudança das condições políticas, sociais, econômicas e culturais na Europa cristã do século XV definiu uma nova idade histórica: a Idade Moderna. Vimos que vários fatores contribuíram para enfraquecer o poder dos senhores feudais a partir do século XIII. A centralização e o fortalecimento dos Estados nacionais tiraram uma boa parcela de seu poder.
Durante os últimos dois séculos da Idade Média, a Europa feudal se expandiu. Novas terras foram colonizadas; a população aumentou. Havia uma necessidade real de ampliar a produção de alimentos.
A expansão atlântica foi a segunda expansão européia, por assim dizer. Do mesmo modo, a expansão comercial do final da Idade Média exigia metais preciosos, sobretudo ouro e prata.
Os “descobrimentos” do fim do século XV e início do século XVI ampliaram o espaço geográfico dos europeus. Povos que se desconheciam mutuamente entraram em contato. O capitalismo comercial aproveitou a expansão ultramarina e trouxe para a Europa novos produtos e oportunidades de investimento.
Os Estados nacionais se fortaleceram ainda mais com a formação de impérios coloniais ultramarinos: o sistema colonial do início dos tempos modernos visava aumentar a arrecadação de impostos da Coroa e enriquecer as monarquias nacionais. A economia
mundial capitalista estava prestes a nascer.
Ao mesmo tempo, surgiram uma nova mentalidade e uma nova ética. A reforma religiosa do início do século XVI ajudou a fixar novos padrões de comportamento, mais afinados com os novos tempos. As cidades tornaram-se os centros da nova cultura que surgiu na Idade Moderna.

domingo, 31 de agosto de 2008



A lenda de Rômulo e Remo
A lenda que narra a fundação da cidade de Roma é conhecida no mundo inteiro. O escritor Virgílio, autor da Eneida, conta que Enéias, um príncipe troiano, fugiu para a península Itálica depois que os gregos destruíram a cidade de Tróia. No Lácio, fundou a cidade de Alba Longa.
A lenda conta que Enéias foi sucedido por doze reis, até que houve uma briga entre dois irmãos que queriam ser os reis de Alba Longa.
A disputa pelo trono
O irmão que venceu, mandou matar os filhos e os netos do outro irmão. Os gêmeos, Rômulo e Remo, foram jogados pelo tio-avô no rio Tibre. Os deuses protegeram os meninos, que foram amamentados por uma loba e criados por uma familia de pastores.
Uma vez adultos, Rômulo e Remo voltaram para Alba Longa, mataram o tio-avô e devolveram o trono da cidade ao legítimo sucessor, o avô deles. O avô permitiu que eles fundassem uma cidade. Assim, Rômulo fundou a cidade de Roma, sobre sete colinas, junto com alguns seguidores.
O governo dos romanos
A lenda narrada por Virgílio também revela que depois de Rômulo, a cidade de Roma teve sete reis. Rômulo matou seu irmão, Remo, e foi o primeiro rei de Roma. Ele organizou o Senado, uma das principais instituições de governo em Roma, e dividiu a sociedade romana em dois grupos: os patrícios e os plebeus. Rômulo foi sucedido por outros três reis romanos. Depois disso, Roma foi governada por três reis etruscos, conforme já vimos.
A sociedade romana
Vejamos, agora, como era a sociedade romana durante a monarquia. O povo romano era formado pelos descendentes das famílias que teriam participado da fundação de Roma. Eles eram os patrícios, descendentes dos fundadores da cidade. Só eles podiam ocupar os cargos públicos e governar. Além disso, tinham se apossado das melhores terras da região e formavam uma aristocracia de várias famílias ligadas por laços de parentesco. Cada família formava uma gens. Os chefes das gens integravam o Senado romano.
Os patrícios romanos se reuniam numa assembléia chamada comício, para propor e votar as leis da cidade. Os patrícios eram classificados em trinta grupos de famílias chamados de cúrias. O comícios curiados escolhiam os reis e os demais funcionários do governo.
O outro grupo da sociedade romana era constituído pelos plebeus. A plebe era formada pelos estrangeiros e pelos romanos que não tinham um antepassado que houvesse participado da fundação da cidade. Os plebeus viviam livremente em Roma, embora não tivessem direitos e não participassem do governo.
Para melhorar a situação de vida, muitos plebeus se tornavam protegidos, ou clientes, de alguma família patrícia. Em troca, tinham de prestar favores a esses patrícios.
Roma também contava com um grande número de escravos. Os escravos eram tratados como se fossem coisas. Eles nem existiam na legislação romana. Os plebeus que não pudessem pagar suas dívidas e os prisioneiros de guerra eram escravizados.



A família romana
A família teve um papel muito importante dentro da sociedade romana. Toda a organização da sociedade girava em torno dos laços de parentesco, e estes laços, por sua vez, estavam ligados à religião.
A família romana era formada por todos aqueles que prestavam homenagem a um antepassado. Isso incluía o pai, a mãe, os filhos, os clientes e até os escravos.
A autoridade do pai era absoluta dentro de casa. Ele tinha poder de vida e morte sobre a mulher e os filhos. A figura da mãe era muito respeitada e gozava de muito prestígio. Apesar disso, a mulher não participava da vida pública nem tinha independência dentro de casa: lá era subordinada ao pai, ao marido ou ao filho mais velho.



A religião
Os romanos eram muito religiosos. Mas eram tão supersticiosos que achavam que tinham de adotar os deuses dos povos com os quais entravam em contato para facilitar a convivência entre ambos. Graças a isso, a religião romana assimilou as crenças de vários povos.
Os latinos praticavam o culto doméstico, veneravam os espíritos dos antepassados e os lares, os gênios protetores da casa. O pai da família desempenhava o papel de sacerdote.
Cada cidade tinha seu altar com fogo sagrado no templo de Vesta, a deusa protetora do Estado. Lá, as vestais, virgens de famílias importantes, alimentavam o fogo sagrado.
Sob o domínio dos etruscos, os latinos adotaram os deuses deles, seus rituais de adivinhação e presságios. A partir desse momento, tais rituais marcaram profundamente a vida pública romana. Nessa época, os latinos assimilaram também os rituais sanguinários - as lutas entre gladiadores.
Dos gregos, os romanos assimilaram os deuses do Olimpo, embora lhes tenham trocado os nomes.



Roma republicana (509 a.C.-27 a.C.)
O estabelecimento da república coincide com a expulsão dos etruscos
e o início da expansão territorial de Roma. Inicialmente, os patrícios mantiveram
os privilégios que tinham sob a monarquia. Com o passar do tempo,
foram obrigados a partilhar o poder: os plebeus lutaram para conquistar
o direito de participação no governo. Nessa época surgiu entre os romanos
um forte ideal militar. Em breve, dominariam todo o Mediterrâneo ocidental
e oriental.



As autoridades republicanas
A queda da monarquia romana não significou uma mudança no governo da cidade. A aristocracia patrícia continuou governando, apesar das pressões dos plebeus. A república era governada pela classe dos patrícios. As únicas novidades que a república trouxe, em termos de governo, foram as seguintes:



  • O rei foi substituído por dois cônsules - uma vez por ano, cada cônsul era eleito pelas cúrias patrícias; eles tinham os mesmos poderes que os reis.

  • Em casos excepcionais, ou seja, em caso de guerra ou de algum acidente muito grave, os cônsules eram substituídos por um ditador, que governava durante seis meses; não precisava consultar ninguém para governar, e tinha até direito de vida e morte sobre os cidadãos romanos.

  • O Senado, formado por trezentos membros vitalícios, ou seja, que só eram substituídos quando morriam, assumiu papéis cada vez mais importantes, tais como o controle sobre fundos públicos e o poder de veto sobre os atos da Assembléia, formada por patrícios romanos escolhidos pelas gens.


As lutas sociais entre patrícios e plebeus
A desigualdade social imposta pelos patrícios sobre o resto dos romanos foi contestada pelos plebeus, que lutaram durante duzentos anos para conquistar os mesmos direitos dos patrícios. No final desses duzentos anos, os plebeus conquistaram muitos desses direitos sociais. A diferença que existia entre patrícios e plebeus praticamente desapareceu.
Essas conquistas foram possíveis porque os plebeus formavam a maioria das tropas romanas. Se eles lutavam nas guerras, era justo que eles também participassem do governo da cidade. Com o passar do tempo, os patrícios não tiveram outra saída senão ceder às pressões dos plebeus.



Os magistrados plebeus
Uma das primeiras conquistas dos plebeus foi a possibilidade de terem representantes, magistrados, no governo romano: eram os tribunos da plebe, que defendiam os interesses dos plebeus. Os edis, inspetores plebeus, ajudavam o trabalho dos tribunos, vigiavam a limpeza da cidade, controlavam os preços dos mercados e exerciam certas funções policiais.
Para equilibrar essas conquistas, os patrícios criaram os censores, que também eram patrícios. Eles eram encarregados de fazer as listas de todos os candidatos a cargos públicos e os julgavam, para ver se eram dignos de ocupá- los. Muitas vezes, os censores não permitiam que os candidatos que defendiam os interesses dos plebeus chegassem ao governo.



As leis escritas
Outra conquista dos plebeus foi o acesso às leis romanas. Só os patrícios podiam julgar as disputas que surgiam entre as pessoas, pois só eles conheciam as leis. Os plebeus não tinham como se defender.
Em 454 a.C., formou-se uma comissão de dez juízes que se encarregaram de escrever as leis. A publicação da Lei das Doze Tábuas, assim chamada porque estava escrita em doze pranchas de bronze, facilitou a defesa dos plebeus, e foi o ponto de partida do direito romano.



As assembléias populares
Com o passar do tempo, os plebeus conseguiram o direito de participar dos comícios. As leis começaram a ser discutidas nas assembléias dos integrantes das centúrias. Cada centúria constituía um batalhão do exército. Essas assembléias eram chamadas de comícios centuriados. Como todos os romanos faziam parte do exército, todos participavam desses comícios. Apesar disso, os patrícios ainda tinham mais poder: o exército era formado levando em conta a riqueza dos cidadãos.
Em 470 a.C., a cidade foi dividida em bairros chamados tribos. Cada bairro formava uma assembléia que tinha direito a voto. Nesses comícios por tribos, que também eram chamados de plebiscitos, os plebeus sempre eram a maioria. No início, os patrícios não aceitaram as decisões tomadas pelos plebiscitos. Mas, com o passar do tempo, tiveram de se submeter a essa conquista da plebe.



  • As leis licínias, promulgadas em 367 a.C., obrigavam um dos dois cônsules a ser plebeu.

  • As leis canuléias, promulgadas em 345 a.C., permitiam que os plebeus se casassem com patrícios.

Depois das conquistas obtidas pelos plebeus, todo cidadão romano podia candidatar-se a qualquer cargo público e exercê-lo, fosse ele plebeu ou mesmo patrício.


A expansão romana na Península Itálica


Quando as lutas sociais se apaziguaram, Roma pôde dispor de seu poderoso exército para conquistar a Península Itálica, avançando em direção ao norte (terra dos etruscos) e ao sul, vencendo os samnitas e os gregos. Após dominar a região da Magna Grécia, em 265 a.C., Roma era dona absoluta da península Itálica. Suas aspirações, agora, incluíam terras de além-mar.



As guerras púnicas (264 a. C-146 a. C.)
Depois da conquista da península Itálica, Roma se tornou uma das cidades mais poderosas do Mediterrâneo. Era inevitável, portanto, que seus interesses se chocassem com os de um vizinho muito poderoso: Cartago.
No norte da África, a cidade de Cartago era o centro de um próspero império comercial de origem fenícia. O duelo entre romanos e cartagineses durou 120 anos e se desenvolveu em três etapas.
Foram as chamadas guerras púnicas ("púnico", vem do latim poemi, quer dizer fenício).



  • Na primeira guerra púnica (264 a. C.- 240 a. C.), Roma conseguiu tomar a ilha da Sicília.

  • Na segunda guerra púnica (220 a. C.- 202 a. C.), Roma lutou contra o grande general cartaginês Aníbal, que conseguiu várias vitórias mas não foi capaz de impedir os romanos de reafirmar seu poder sobre a península.

  • Cinqüenta anos após a derrota, Cartago tinha renascido, graças ao comércio. Roma não se conformou e atacou novamente: foi a terceira guerra púnica (150 a. C.-146 a. C.).

Em 146 a.C., Cartago foi totalmente arrasada, e seus habitantes, degolados. O Senado romano ordenou que se passasse um arado sobre as ruínas da cidade, salgou a terra e declarou o território amaldiçoado.
A partir desse momento, o norte da África transformou-se em mais uma província romana. Senhora absoluta do Mediterrâneo, Roma empreendeu a conquista do Oriente, tomando territórios da Grécia e da Síria.

Da crise da República ao fim do Império Romano



A conquista de novos territórios acabou enriquecendo um pequeno grupo de famílias que se encarregaram de governar e administrar as riquezas. Ser governador de uma província era o mesmo que ter ganho um atestado de riqueza. Foi assim que um pequeno grupo, ligado ao Senado, tornou-se praticamente dono da república.
As causas das lutas sociais
Após as guerras, as terras conquistadas eram repartidas entre soldados e colonos romanos. Na realidade, essas terras foram entregues a minorias privilegiadas, ligadas ao Senado. Formaram-se, assim, grandes propriedades, chamadas latifúndios, cultivadas por milhares de escravos, que chegavam como prisioneiros de guerra.
Com a mão-de-obra gratuita dos escravos, os produtos dos latifúndios chegavam a Roma com preços muito baixos, arruinando os pequenos produtores. Para saldar suas dívidas, os colonos tiveram de vender suas terras aos próprios ricos, e acabaram por se juntar ao imenso batalhão de desempregados e mendigos que viviam em Roma.
Não demorou para que se formassem dois partidos, cujos interesses eram radicalmente opostos.



  • De um lado, o Partido Senatorial, formado pela minoria, queria que as
    coisas ficassem como estavam.

  • Do outro lado, o Partido Popular, mais numeroso, mas carente de líderes
    que o organizassem, lutava para diminuir os poderes do Senado.

A luta entre os partidos foi áspera e violenta, e terminou numa sangrenta guerra civil.



Os reformistas
Nesse clima de disputa, surgiram personagens que se dedicaram a promover reformas para melhorar a situação social da maioria dos cidadãos.
O líder do Partido Popular não demorou a surgir. Em 133 a. C., Tibério Graco foi eleito tribuno. Apesar de ser de uma família patrícia, Tibério simpatizava com as causas populares. Ele propôs a lei da Reforma Agrária, em que o Estado deveria dividir as terras em benefício das famílias pobres.
Os ricos, ligados ao Partido Senatorial, assassinaram Tibério e o seu projeto foi esquecido. Dez anos depois, seu irmão mais novo, Caio Graco, aprovou leis que beneficiaram os pobres, distribuindo comida e combatendo o desemprego. Também propôs medidas simpáticas ao Partido Senatorial. Quando tentou conceder a cidadania romana aos demais habitantes da península Itálica, enfrentou a oposição de ricos e pobres. Perseguido pelo Partido Senatorial, suicidou-se em 121 a.C.
Pouco tempo depois do assassinato de Caio Graco, o partido Popular elegeu Caio Mário, militar filho de camponeses. Os sucessos militares de Mário fortaleceram sua posição no partido. A partir desse momento, o exército romano deixou de ser nacional para tornar-se uma força fiel ao chefe. Mário foi eleito cônsul durante seis anos seguidos. Apesar disso, as tão desejadas reformas não se concretizaram.



A primeira guerra civil
Enquanto os dois partidos se desafiavam, aconteceu uma rebelião na Ásia Menor. O Senado declarou a guerra contra Mitridates, rei do Ponto, e nomeou Sila, líder do Partido Senatorial, que já havia sufocado uma revolta de italianos contra o poder romano, como comandante do exército. O Partido Popular não aceitou a nomeação de Sila. Foi o início da guerra civil.
Os dois partidos lutaram nas ruas até que Sila venceu. O Partido Popular foi esmagado e o Partido Senatorial revogou todas as leis que concediam benefícios aos pobres.
Quando terminou a guerra contra Mitridates, Sila teve de voltar para Roma às pressas. Mário havia retornado e iniciado a perseguição aos senatoriais. Sila tornou a entrar com suas tropas em Roma, disposto a derrotar Mário definitivamente. Mário morreu no meio do conflito; e os populares, mal-organizados, não conseguiram enfrentar as tropas de Sila. Após uma terrível matança, Sila dominou a cidade.
O Senado o nomeou ditador perpétuo. Sila decretou a pena de morte para os membros do Partido Popular. Milhares de pessoas foram vítimas de torturas e assassinatos. Sila também aproveitou para reformar as leis, conforme os interesses de seu partido.



  • O Senado se transformou na autoridade máxima da república.

  • Os tribunos e os comícios populares perderam todo o poder.

Em contrapartida, Sila incentivou a construção de obras públicas e distribuiu terras entre os soldados, para diminuir o desemprego. Em 79 a.C., Sila devolveu seus poderes ao Senado e etirou-se.



A luta pelo poder
Depois da retirada de Sila, a liderança do Partido Senatorial ficou por conta dos novos cônsules, os generais Pompeu e Crasso. Eles revogaram as leis repressivas, restabeleceram o poder dos tribunos e diminuíram o poder do Senado. Dessa maneira, a situação política ficou mais equilibrada.
Apesar disso, Roma teve de lidar com várias revoltas, como a de Espártaco, em 72 a.C., que comandou uma sublevação de mais de 70 mil escravos. Também os piratas do Mediterrâneo, aproveitando a confusão, desorganizaram o comércio de Roma.
Esses acontecimentos proporcionaram um bom pretexto para que Pompeu aumentasse sua popularidade, esmagando o que restava da sublevação de escravos.


O Primeiro Triunvirato
Quando Pompeu anunciou que voltaria a Roma, o Senado promoveu uma campanha difamatória, procurando desmoralizá-lo. A essa altura dos acontecimentos, o tribuno Caio Júlio César voltara da Espanha, onde havia realizado um excelente governo. Pompeu aliou-se a Júlio César e a Crasso para derrotar o Senado, em 60 a.C. Eles juraram que apoiariam uns aos outros na repartição das magistraturas. Isso permitiu que governassem sem o Senado. O pacto entre os três foi chamado de triunvirato, o governo de três varões.
Esse pacto, entretanto, não durou muito tempo, pois, mais cedo ou mais tarde, o governo seria exercido por um só homem, o mais forte dos três.


Júlio César (100 a. C.-44 a. C.)
Júlio César sempre simpatizou com as causas populares, pois também era sobrinho adotivo de Mário. Ocupou todos os cargos públicos que um cidadão romano podia ocupar. Além disso, provou uma nova lei agrária e reformou as demais leis. Foi assim que conquistou a confiança dos mais pobres e o temor do Senado.


A segunda guerra civil

Após conquistar a Gália, César tornou-se o homem mais poderoso de Roma. Insatisfeito, Pompeu rompeu a aliança do triunvirato e juntou-se ao Partido Senatorial. Ele forçou o Senado a proclamá-lo ditador e exigiu que César voltasse para Roma sem os seus exércitos. Estimulado pelas tropas que liderava, César atravessou o rio Rubicão com seu exército, o que era proibido pelas leis romanas. Começava a segunda guerra civil. César, vitorioso, entrou em Roma, escolheu
um novo Senado e anistiou, ou seja, perdoou, todos os seus opositores. Uma vez tomadas essas medidas, perseguiu Pompeu, que fugiu para o Egito. Lá foi assassinado, e César elegeu Cleópatra rainha do Egito.
Depois de derrotar os últimos aliados de Pompeu, César foi proclamado o pai da pátria e pôde, então, realizar várias reformas.


A ditadura de César
César foi nomeado ditador perpétuo e imperator, que significava chefe absoluto das forças de mar e terra, além de pontífice máximo, ou seja, principal sacerdote romano.
A preocupação fundamental de César foi a reorganização da administração romana. Realizou várias reformas muito importantes.


  • Fez com que o Senado fosse internacionalizado, ou seja, seus 900 membros não seriam apenas cidadãos nascidos em Roma.

  • Decretou o fim da escravidão por dívidas, repartiu terras e fundou colônias.

  • Moralizou a administração, realizou grandes obras públicas e reformou o calendário.

O fim de César
A aristocracia dos senadores não suportava a idéia de que César se tornasse rei. Para impedir que isso ocorresse, em 44 a.C., César foi assassinado com 28 punhaladas, uma delas dada pelo filho adotivo, Bruto. Quando o viu no meio dos assassinos César lhe disse: “Até tu, Bruto?”.



O segundo triunvirato
Após o assassinato, Marco Antônio, Otávio e Lépido formaram o segundo triunvirato. Iniciaram-se perseguições. Quase todos os membros do Senado foram aniquilados. Finalmente, decidiram dividir o governo em três partes. Lépido renunciou ao seu quinhão. Só restaram Otávio e Marco Antônio: um dos dois estava “sobrando”.


A terceira Guerra Civil


O governo de Otávio pôs fim às perseguições. Enquanto isso, Marco Antônio se instalou em Alexandria e casou-se com a rainha Cleópatra. Ele prometera a Cleópatra que a transformaria em rainha de Roma. Otávio usou isso como pretexto para livrar-se de Marco Antônio, declarando guerra ao Egito. Em 31 a.C., a frota egípcia foi derrotada, e Cleópatra e Marco Antônio se suicidaram. A partir daquele momento, o Egito passou a ser uma província romana. Otávio era o único dono do poder em Roma. Ele inaugurou uma nova forma de governo, o império, que durou quinhentos anos



O império cristão
Os romanos sempre foram tolerantes com outras crenças e religiões. Apesar disso, alguns imperadores rejeitaram o cristianismo e o consideraram um “perigo público”. Para eles, o cristianismo não era apenas uma nova crença, mas um novo sistema de vida que se contrapunha ao romano. Cristo pregava o amor, a misericórdia e o perdão: o que importava era levar uma vida virtuosa.
Os cristãos rejeitavam os cultos pagãos e se recusavam a reverenciar o imperador como se fosse um deus.



As perseguições
O confronto entre os cristãos e as autoridades imperiais começou trinta anos após a morte de Jesus e se prolongou durante três séculos, com intervalos.
Em geral, a atitude do Estado romano diante do cristianismo era de indiferença. Alguns imperadores perseguiam os cristãos porque eles se recusavam a pagar impostos e a adorar os deuses oficiais do Estado.
A falta de moral e a situação calamitosa do império no século III inverteram essa situação. A partir da conversão do imperador Constantino, o cristianismo se tornou a religião oficial do império.



Constantino e o triunfo cristão
Ao vencer uma batalha contra um aspirante a imperador, Constantino
se converteu ao cristianismo e promulgou o Edito de Milão (ano 313), estabelecendo
a liberdade de culto em todo o império.
A partir desse momento, e dada a crise generalizada, o cristianismo ganhou
terreno. Ele prometia, a homens e mulheres, a salvação pessoal. Além disso,
as comunidades cristãs ofereciam serviços, tais como cuidado de crianças e
sustento dos desprotegidos. Começam a surgir os primeiros templos e escolas
públicas cristãs.
Nessa época, a igreja cristã adotou o cerimonial imperial e se submeteu
ao controle do Estado romano.



O desmoronamento do Império do Ocidente
Assim como o cristianismo conquistou o império por dentro, outros invasores quebraram o poder militar que mantinha as fronteiras. O avanço dos hunos, vindos das estepes asiáticas, provocou o deslocamento dos povos germânicos próximos das fronteiras romanas. Em 378, 200 mil visigodos invadiram o império e ocuparam a Trácia. Outros povos germânicos imitaram o exemplo dos visigodos e, em pouco tempo, a penetração de povos germânicos tornou-se violenta. Visigodos e vândalos saquearam Roma e o império.
Os germanos que invadiram o Império do Ocidente não viviam em cidades. As cidades se reduziram a fortificações: a decadência da vida urbana é uma das principais marcas do novo período histórico que se inicia. A economia tornou-se estritamente agrícola: a produção dos campos apenas dava para alimentar os trabalhadores rurais e sustentar os senhores das terras.



O Império do Oriente
A parte oriental do Império Romano sobreviveu durante mais mil anos. A partir do século VI, o Oriente começava uma vida própria, e a Europa Ocidental iniciava um longo período deconstrução.



A cultura romana e seu legado
Roma deixou para o mundo um legado construído ao longo de mil anos. Povo de organizadores, deixou-nos um sistema de direito. O respeito que os romanos tinham pela cultura dos submetidos lhes deu uma civilização internacional. Mas eles também foram responsáveis pela romanização de vários povos. Seus valores eram assimilados pelos demais povos europeus e continuaram regendo a vida das pessoas durante o período que ficou conhecido como Idade Média.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Os primeiros helenos: eólios, jônios, aqueus e dórios

Os helenos eram um povo ário que se dizia descendente de um mesmo antepassado comum. Apesar disso, eles estavam divididos em quatro grupos que se estabeleceram em regiões diferentes:
os eólios se fixaram na Etólia, no norte da Hélade;
os jônios se fixaram no centro, na península de Ática;
os aqueus se fixaram no Peloponeso;
os dórios se fixaram no norte da Grécia, na Macedônia e, mais tarde,
no Peloponeso.
Atraídos pela prosperidade dos cretenses, os helenos foram se infiltrando em todo o território até dominá-los completamente, conquistando o mar Egeu. Mas isso não significou o fim da civilização cretense. Os helenos preservaram a civilização que encontraram e assimilaram coisas que eles mesmos tinham criado, como a língua grega.
Os aqueus logo se impuseram aos demais grupos. Por volta de 1400 a.C., as cidades de Micenas e Tirinto tornaram-se os focos irradiadores da nova cultura cretomicênica, uma combinação da velha cultura dos cretenses com a cultura dos helenos.

A Guerra de Tróia
O rei de Micenas liderava os demais reis helenos nas campanhas de conquista.
Eles penetraram na Ásia Menor e lá estabeleceram alguns povoamentos. Mas tiveram de enfrentar um inimigo poderoso: a cidade de Tróia, um centro comercial popular, que se beneficiara da queda do poderio naval de Creta atacando toda a costa grega.
Por volta de 1100 a.C., Agamenon, rei de Micenas, querendo pôr fim à situação, liderou uma coalizão de helenos contra Tróia. A guerra, a primeira entre a Ásia e a Europa, durou dez anos. Os gregos penetraram na cidade escondidos dentro de um enorme cavalo de madeira com o qual presentearam os troianos. Daí vem a expressão presente de grego. No final, Tróia foi totalmente destruída.
Os reis de Micenas teriam continuado a expandir o seu território se não
tivesse acontecido algo inesperado.

A invasão dórica
Enquanto os aqueus lutavam contra os troianos, os dórios começaram a se infiltrar. Os dórios tinham uma coisa que os outros não tinham: armas de ferro.
Por volta de 900 a.C., começaram a avançar em direção ao Peloponeso.
As tribos helenas estavam divididas e debilitadas por causa da longa guerra contra Tróia e não conseguiram resistir. As que tentaram, como Micenas e Tirinto, foram arrasadas. Os aqueus foram reduzidos a escravos dos dórios.
Em Creta, a destruição foi tão grande que não ficou uma única lembrança de seu esplendor.

A cultura creto-micênica: uma sociedade de guerreiros comerciantes
Os aqueus eram governados por uma monarquia absoluta. Devemos supor que a maioria da população vivia sob a dependência dos guerreiros, pois as fortalezas de Micenas e Tirinto abrigavam uma população reduzida e privilegiada.
Os aqueus construíam estradas e portos para facilitar o comércio. Usavam bronze, jóias, pedras gravadas e cerâmica. As cidades aquéias eram fortificadas, e os temas de guerra estavam presentes na decoração dos palácios. As gigantescas construções eram chamadas de ciclópeas, pois lendas diziam que elas tinham sido construídas por ciclopes, super-homens que tinham um só olho, no meio da testa.

A Grécia heróica
Com a chegada dos dórios, começou uma etapa muito importante na vida dos gregos. Esse momento é chamado de heróico ou homérico. Foi nessa época que surgiram os mitos, as lendas, os deuses e os heróis helenos.
Com a invasão dos dórios, muitas famílias helenas fugiram e se refugiaram nas ilhas do mar Egeu e na Ásia Menor. Mais tarde, os dórios se estabeleceram no sul da Ásia Menor.
A partir desse momento, o mar Egeu ficou totalmente rodeado de colônias gregas. Além disso, entre os séculos VIII e VII a.C., as cidades gregas da Ásia Menor transformaram o Mediterrâneo num mar grego.
Ao norte, nas costas do mar Negro, os gregos fundaram várias cidades - entre elas, Bizâncio, que seria, no futuro, a capital do mundo romano oriental. Os gregos também fundaram colônias no Egito, no norte da África, no sul da Itália (a Magna Grécia) e nas costas da Espanha e da Gália, que é hoje a França.
As novas cidades eram autônomas, ou seja, independentes. Apesar disso, os colonizadores mantinham os mesmos costumes e ideais que eram cultivados na Grécia. Assim, a Grécia continental se transformou no centro de uma associação de cidades independentes espalhadas pelo Mediterrâneo.

A cultura e a religião
Para os gregos o ser humano era a obra mais importante da criação. Seus deuses eram pessoas perfeitas, belas e jovens, mas tinham todas as qualidades e os defeitos dos seres humanos.
Os deuses gregos formavam uma comunidade privilegiada que morava no monte Olimpo, um lugar sagrado. Eles eram presididos por Zeus, pai de todos os deuses, e sua mulher, Hera. Os deuses da Terra também moravam no Olimpo, como Posêidon, o deus dos mares, e Dioniso, o deus da alegria e do vinho.
Cada cidade grega tinha o seu deus predileto. Apesar disso, os gregos adoravam todos os outros deuses também. Cada casa tinha um fogo sagrado que ardia em memória dos antepassados.
Os deuses gregos comunicavam seus desejos aos homens por meio de presságios. Os oráculos, os templos onde os deuses gostavam de revelar suas mensagens, foram muito populares na Grécia.

As lendas
O gregos criaram lendas sem fundamento histórico, ou seja, que ninguém podia provar se realmente tinham acontecido.
Mesmo assim, essas lendas foram aproveitadas por poetas e artistas.
As lendas gregas diziam que o homem havia sido criado por Prometeu, que lhe deu o fogo que conseguira roubar do Olimpo. Quando Zeus soube disso, amarrou Prometeu com correntes num monte do Cáucaso. Lá, uma águia vinha todas as manhãs para lhe devorar as vísceras, que renasciam a cada dia.
Para castigar o Homem, Zeus fez com que ele casasse com Pandora, que lhe deu de presente uma caixa que continha todos os males: a maldade, a inveja e assim por diante.

Os heróis
Os gregos também contavam histórias sobre personagens lendários, os semideuses. Os mais famosos foram:
Hércules, o herói nacional grego por causa de sua força física e bondade;
Teseu, que conseguiu acabar com o poder dos cretenses quando matou o Minotauro;
Perseu, que matou a Medusa, um monstro cujos cabelos eram serpentes e que convertia os homens em pedra com o olhar;
Édipo, o anti-herói que assassinou o pai, Laio, rei de Tebas, e casou com a mãe, Jocasta. Uma vez revelado o crime, Édipo fugiu e foi engolido pela terra.

A literatura
Antes que os gregos conhecessem a escrita, trovadores e poetas percorriam as cidades cantando e contando suas lendas. A Ilíada e a Odisséia, os poemas escritos por Homero, são uma reunião de todas essas lendas e mitos que circularam de boca em boca durante séculos.
A Ilíada conta a história da guerra e da tomada de Tróia, cujos principais protagonistas foram os deuses e os reis da Grécia heróica.
A Odisséia conta as aventuras de Ulisses, rei de Ítaca, ao voltar da Guerra de Tróia. Penélope, sua mulher, esperava-o; acreditava que ele estava vivo, ao contrário do que diziam todos aqueles que tinham inveja de Ulisses.