segunda-feira, 9 de março de 2009

A Expansão marítima européia


Dentre os acontecimentos que assinalam a passagem para os tempos modernos, destacam-se, pela profundidade de suas conseqüências, as Grandes Navegações.
Nessa época, os europeus contornaram a África, estabeleceram novas rotas comerciais com o Oriente, circunavegaram o mundo e chegaram às Américas. O expansionismo marítimo possibilitou aos europeus o domínio de várias regiões do mundo durante um longo período.
De forma geral, podemos dizer que os europeus foram impelidos a empreender as Grandes Navegações por duas razões econômicas: as necessidades de expandir o comércio e de obter grandes quantidades de metais preciosos.
Entretanto, nem só de causas econômicas se faz a história. Havia também naquelas circunstâncias uma confluência de outros estímulos: ambições pessoais, espírito aventureiro e fervor religioso. Na Península Ibérica, por exemplo, disseminou-se a idéia de que, uma vez expulso os muçulmanos do território, seria preciso propagar a fé cristã por todas as regiões do mundo.
Reunidos esses anseios, o Estado moderno, com sua monarquia fortalecida e unificada, surgiu como instrumento capaz de concretizá-los. Graças ao apoio da burguesia, aos impostos cobrados da população e aos empréstimos contraídos dos banqueiros, o rei pôde reunir o capital necessário para financiar as viagens marítimas.

O Atlântico como solução
Para entendermos as causas das grandes navegações, é preciso examinar as características européias a partir dos séculos XI a XIII, período denominado de Renascimento Comercial.
Ao longo desse período ocorreu na Europa um crescimento acentuado do comércio. Todo território europeu foi cortado por rotas comerciais; multiplicaram-se as feiras, onde os comerciantes se encontravam para negociar produtos locais ou especiarias e a seda das distantes Índias. Recomeçou a utilização das moedas, ressurgiram as cidades e a dinâmica da economia se acelerou. Ampliou-se a população e com ela a produção agrícola.
Este renascimento Comercial, porém, encontrou seu limite de crescimento na própria estrutura vigente, a estrutura feudal. Assim, o crescimento da população das cidades provocou uma crise no campo, incapaz de prover sustento para toda população; a produção de moeda acabou por provocar o esgotamento das minas; a exploração dos servos gerou revoltas por toda parte. O crescimento econômico então trouxe como conseqüência a necessidade de rever a estrutura político-econômica da Europa.

Anos de fome e de peste
Todo florescimento econômico ocorrido na Europa entre os séculos XI e XII, contudo, sofreu sério abalo a partir do século XIV. Por essa época, uma conjunção de fatores levou os europeus a enfrentar uma profunda crise econômica e social que transformou o continente em lugar de desolação, medo, fome e morte.
Um desses fatores foi a instabilidade decorrente da conquista de territórios do Império Bizantino pelos turcos otomanos a partir do século XIV. Os bizantinos eram parceiros comerciais da Europa ocidental e seu declínio fez com que a economia européia se retraísse.
Além disso, nesse período a sociedade européia foi assolada por secas prolongadas que prejudicaram a agricultura e deixaram parte da população sem alimento.
Para piorar, em meados do século XIV a Europa viveu uma das maiores catástrofes da sua história: a Peste Negra. A doença chegou em 1374 por meio de navio genovês vindo do Oriente e espalhou-se rapidamente pelo continente. Calcula-se que entre as décadas de 1340 a 1350 a Peste Negra tenha matado cerca de 25 milhões de pessoas, ou seja, quase um terço de toda população européia. Esses fatores, associados as guerras travadas entre os reinos europeus – Guerra dos Cem Anos, da Reconquista e das Duas Rosas, por exemplo – provocaram insatisfação generalizada em toda população.
A crise econômica precisava ser contornada com a descoberta de outras fontes de minérios e mercadorias; a crise política, com o fortalecimento do Estado, para conter as revoltas.
Expansão Marítima e Centralização monárquica passaram a ser os parâmetros para a superação da crise européia. Era o início de tempos modernos.

À procura de metais preciosos
Outro fator que levou os europeus a realizar as navegações foi a busca de metais preciosos. De fato, a expansão do comércio acarretava uma necessidade crescente desses metais para a cunhagem de moedas. Porém, boa parte do ouro e da prata existentes na Europa era destinada ao pagamento de mercadorias no comércio com o Oriente. Por isso, os dois metais se tornaram escassos no continente, forçando a procura por novas fontes fora da Europa.

terça-feira, 3 de março de 2009

A Baixa Idade Média e o Declínio do Feudalismo


"A Baixa Idade Média corresponde ao período entre os séculos XII e meados do século XV. Nesse momento histórico ocorreram inúmeras transformações no feudalismo, como o renasci­mento do mundo urbano e o reaquecimento das atividades comerciais; o fim do trabalho servil; o surgimento da burguesia; a centralização política nas mãos dos monarcas; e as crises da Igreja Católica. Toda a trama histórica levou o sistema feudal ao seu limite, produzindo uma grave crise que desembocou na transição para o capitalismo.

As transformações internas do feudalismo

A passagem do século X ao XI foi um momento de mudanças na Europa feudal. Com o fim das invasões bárbaras (vikings e magiares), o mundo medieval conheceu um período de paz, segurança e desenvolvimento.
O primeiro dado importante refletindo esse novo momento foi o aumento da população. O crescimento demográfico foi ocasionado pelo fim das guerras contra os bárbaros e pelo recuo das epidemias, gerando uma que­da da mortalidade. Além disso, ocorreu uma suavização do clima, proporcionando mais terras férteis e colheitas abundantes.
Esse crescimento implicou maior demanda de alimentos, estimulando o aperfeiçoamento das técnicas agrícolas para aumentar a produção. Assim, o arado de madeira foi substituído pela charrua (arado de ferro), facilitando o trabalho de aragem; a atrelagem dos animais foi aperfeiçoada, permitindo o uso do cavalo na tração; os animais passaram a ser ferrados; os moinhos foram melhorados; e o sistema trienal se estendeu por toda a Europa, proporcionando melhor qualidade e maior quantidade de produtos agrícolas.
No entanto, todo esse inegável desenvolvimento técnico foi limitado, não atendendo ao crescimento da população e, portanto, do consumo. Inicialmente novas terras foram ocupadas e desbravadas. Além disso, ocorreu um fenômeno histórico novo para a Idade Média, o êxodo rural, ou seja, parcelas consideráveis das populações rurais dirigiram-se para as cidades.

Esse crescimento implicou maior demanda de alimentos, estimulando o aperfeiçoamento das técnicas agrícolas para aumentar a produção. Assim, o arado de madeira foi substituído pela charrua (arado de ferro), facilitando o trabalho de aragem; a atrelagem dos animais foi aperfeiçoada, permitindo o uso do cavalo na tração; os animais passaram a ser ferrados; os moinhos foram melhorados; e o sistema trienal se estendeu por toda a Europa, proporcionando melhor qualidade e maior quantidade de produtos agrícolas.
No entanto, todo esse inegável desenvolvimento técnico foi limitado, não atendendo ao crescimento da população e, portanto, do consumo. Inicialmente novas terras foram ocupadas e desbravadas. Além disso, ocorreu um fenômeno histórico novo para a Idade Média, o êxodo rural, ou seja, parcelas consideráveis das populações rurais dirigiram-se para as cidades.

Renascimento urbano

As cidades, portanto, começaram a crescer durante a Idade Média a partir do desenvolvimento agrícola, que garantia o abastecimento, e das atividades de troca do excedente (a sobra da produção agrícola, resultado de uma quantidade maior de produtos do que as necessidades de consumo imediato), ou seja, do comércio.
O revigoramento do comércio trans­formou as villas, as cidades portuárias e as antigas regiões das feiras comerciais, que se tornaram permanentes. Várias cidades desenvolveram-se junto dos castelos e mosteiros fortificados, em razão da proteção proporcionada por seus muros. Provavelmente surge daí a denominação burgo para as cidades, pois essa palavra significa fortaleza e castelo (do latim burgo). Os que habitavam os burgos, exercendo atividades comerciais e manufatureiras, constituíram um novo segmento social no sistema feudal, conhecido como burguesia.

Como inicialmente as cidades eram patrocinadas pelos senhores feudais, os burgueses se submetiam à sua autoridade. Todavia, com o crescimento do comércio e o fortalecimento da burguesia, as cidades iniciaram movi­mentos de independência (movimentos comunais). Essas lutas ocorreram basicamente de duas maneiras:
a) as cidades alcançavam sua liberdade de forma pacífica, pela compra de cartas de franquia, que lhes asseguravam autonomia política e administrativa;
b) ou então através da luta violenta, muitas vezes com o apoio de alguns monarcas que procuravam se fortalecer diante dos senhores feudais.

Obtida a liberdade, as cidades passavam a ser governadas pelos setores mais enriquecidos do comércio e da manufatura, que organizavam seus setores e propiciavam o desenvolvimento econômico dos centros urbanos. Cada setor artesanal organizava-se de acordo com sua especialização (ferreiro, alfaiate, marceneiro, etc.), constituindo corporações de oficio (também conhecidas como guildas ou grêmios). Sua função era evitar a concorrência e, por isso, fixavam os preços dos produtos e os salários, controlavam a qualidade e a quantidade das mercadorias.
Em cada corporação havia uma rígida hierarquia, organizada do seguinte modo:

• mestre (dono da oficina);
• jornaleiro (assalariado);
• e o aprendiz, que trabalhava em troca de aprendizado do ofício, casa e alimentação.

No final da Idade Média essa divisão se acentuou com a monopolização da riqueza pelos mestres, que começaram a explorar a mão-de-obra assalariada. Portanto, lentamente o trabalhador servil foi desaparecendo das cidades.
Os comerciantes também organizavam suas corporações, conhecidas como hansas. A Liga Hanseática, reunião de várias hansas, destacou-se a partir de meados do século XIII (reunia inúmeras hansas de cidades da região de Flandres).
Mais ao norte, a Hansa Teutônica foi muito influente nas atividades comerciais, agrupando várias hansas na região da Alemanha.

Revigoramento comercial

Pois bem, é possível perceber que o reaquecimento das atividades comerciais ocorreu ao mesmo tempo que a produção agrícola e manufatureira crescia e as cidades se desenvolviam.
Nesse período dois setores artesanais se destacaram: o da construção e, principalmente, o têxtil. A primeira região manufatureira têxtil se concentrou em Flandres (séculos XII e XIII) e não sobreviveu à concorrência.O norte da Itália substituiu Flandres na produção manufatureira durante o século XIII. A partir do final desse século e no século XIV a Inglaterra se destacou na produção, deixando de ser apenas fornecedora de matéria-prima.
O comércio dos produtos agrícolas e manufaturados inicialmente cumpria a função de suprir demandas internas localizadas. Entretanto, o comércio internacional de longa distância era ao mesmo tempo mais perigoso e lucrativo. Suas atividades ocorriam entre o Mediterrâneo oriental e a Europa e internamente no continente europeu. As Cruzadas (expedições militares estimuladas pela Igreja Católica e organizadas pelos nobres cristãos, visando a libertação dos lugares santificados —Jerusalém, por exemplo —, domina­dos pelos muçulmanos) tornaram-se instrumentos fundamentais para a ampliação dessas atividades comerciais, pois elas asseguraram às cidades européias a hegemonia do comércio no Mediterrâneo.
Havia dois eixos comerciais funda­mentais que dominavam o comércio marítimo: no sul, Veneza e Gênova dominavam o comércio no mar Mediterrâneo; no norte, Flandres (Holanda e Bélgica). Entre esses dois pólos surgi­ram inúmeras rotas comerciais, fluviais e terrestres. O comércio ocorria nas grandes feiras, e as que mais se destaca­ram foram as da região de Champagne (França), bem no centro da Europa.
Com a Guerra dos Cem Anos (1337-1453, entre França e Inglaterra) o comércio terrestre foi muito prejudica­do, levando Champagne ao declínio e propiciando a ascensão de flandres. O comércio entre o norte da Europa e o sul da França passou a ocorrer através da navegação marítima, cruzando o estreito de Gibraltar. Portugal começou a despontar então como ponto de escala privilegiado, o que fomentou suas atividades comerciais portuárias.

A monetarização da economia

O crescimento urbano e comercial proporcional a afluência e o câmbio (troca) de moedas, que readquiriram função importante nas atividades comerciais. Nessa nova situação, destacou-se o mercador que lidava especificamente com as moedas: o cambista ou banqueiro.
Por meio da cobrança de taxas, esses mercadores cambiavam todo tipo de moeda, faziam empréstimos e emitiam títulos de valores, ou seja, certificados que garantiam a um comerciante a propriedade de determinada quantia de moedas, que ficavam sob guarda e proteção do banqueiro.
Desse modo, o comerciante ficava seguro contra possíveis assaltos e poderia realizar seus negócios apenas trocando esses certificados com outros banqueiros ou comerciantes. Os principais banqueiros do período, logicamente, concentra­ram-se nas cidades mais ricas: Gênova e Veneza.

Toda essa nova situação econômica não era mais compatível com o feudalismo, que acabaria sendo superado após uma grave crise do sistema. Assim, é possível perceber que, lentamente, o próprio sistema feudal criava novos elemententos que o desestruturam por dentro."

O feudalismo


Os termos feudal e feudalismo são modernos, usados para descrever uma sociedade que estava morrendo ou que já tinha desaparecido. A palavra feudal tem sua raíz no latim feudum: posse, propriedade ou domínio e, ao que parece, foi usada pela primeira vez em 1614. Já a palavra feudalismo só viria a ser usada no século XIX.
admite-se que a sociedade feudal originou-se na França, entre os séculos IX e X, com o declínio da monarquia Carolíngia. Na Inglaterra, originou-se, em 1066, com a conquista normanda. O feudalismo teria durado até o século XVI.

gênese
Durante o Império Romano, predominou o modo de produção escravista.
A partir do século III, o escravismo entrou em crise. A produção agrícola caiu. O comércio e a produção artesanal urbana retraíram-se.

Institições romanas
Vilas - durante a crise do Império Romano, os grandes proprietários foram em direção aos seus latifúndios, onde desenvolveram núcleos rurais e uma economia agrária de subsistência.

Colonatos - eram grupos de romanos que desenvolviam trabalhos agrícolas em troca de sobrevivência.

Clientela - relação social que caracterizava a dependência entre grupos inferiores frente aos superiores.

Instituições germânicas
Benefício - doação de terras como forma de pagamento. Deste termo surgiu o feudo. Pequena ou grande parcela de terra doada.

Comitatus - grupo formado por guerreiros e seus chefes. Tinham obrigações recíprocas e lealdade.

Economia agropastoril - a base da economia germânica era a agricultura e a criação de animais. Não existia o ideal de comercialização do excedente.

Portanto, a fusão de elementos da sociedade germânica com a romana resultou numa síntese que denominamos de sociedade feudal.

Principais características do feudalismo

Econômicos – Economia essencialmente agrária, natural e auto-suficiente: produzia-se para o consumo imediato.
Trabalho regulado pelas obrigações servis, fixadas pela tradição e pelo costume.

Políticas – Poder político descentralizado das mãos do rei. O poder local: cada domínio feudal era independente, ou seja, cada feudo era governado pelo seu senhor.
Relação entre a nobreza feudal baseadas nos laços de suserania e vassalagem: tornava-se suserano o nobre que doava um feudo a outro; e vassalo, o nobre que recebia o feudo.

Sociais – Sociedade rural e estamental, dividida em três estamentos ou ordens sociais, cada qual com uma função:
clero – oração
nobreza – defesa
campesinato – (servos e vilões) – trabalho
A sociedade feudal era principalmente rural, ou seja, quase todas as pessoas viviam no campo. O trabalho na agricultura era pesado e cansativo e os camponeses ficavam com poucos frutos, visto que as terras eram dos nobres.
Os nobres eram os donos da terras, também chamados de feudos. Como proprietários, o trabalho deles era pouco, em comparação com os servos.
Servos, não eram escravos porque não pertenciam aos nobres, já que não podiam ser vendidas para outro senhor feudal. Mas também não eram livres para irem para outro lugar ou outro feudo. Estes camponeses servos tinham direito de utilizar um pedaço da terra do feudo para uso próprio. Mas o senhor feudal não fazia investimentos na terra. Os instrumentos de trabalho como foices, machados e outros, pertenciam aos servos. Veja algumas das obrigações feudais:

Corvéia:era prestação de serviço gratuitos. Isto é, o servo trabalhava uns dias na semana de graça para o senhor feudal , em terras do seu senhor. Além de construir pontes, reparar estradas e outros trabalhos extras.
Talha: era a entrega de produtos gerados diretamente por trabalho servil. Parte da colheita do servo devia ser entregue ao senhor feudal. Isto incluía aves, alimentos e animais.
Banalidades: eram taxas criadas por qualquer motivo. Multas, impostos para compra de equipamentos e vários.

Tais obrigações servis ou melhor, direitos senhoriais, eram como consagrados pela tradição e variavam de acordo com a região. A relação entre senhor feudal e servo era bem prática: os servos trabalhavam enquanto os senhores feudais lhes garantiam proteção, em caso de guerras, e abrigo, no caso de calamidade. Mesmo assim, com essa suposta proteção, os camponeses não se conformavam tão facilmente com tanto trabalho me tanto tributo. Por isso haviam rebeliões, que infelizmente eram sufocadas de maneira violenta e cruel pelos nobres.
A economia do feudo era de subsistência , pois o feudo não produzia tantos excedentes,mas apenas o básico para sobreviver. or causa disso as cidades e o comércio eram pouco desenvolvidos.

O princípio de estratificação era privilégio de nascimento. Cada indivíduo permanecia preso à sua posição na sociedade, o que caracterizava uma imobilidade social e estabelecia um regime de desigualdade.

Culturais – Cultura teocêntrica, ou seja, todo o poder político girava em torno da autoridade religiosa, da fé.
Predomínio da Igreja, que determinava o modo de pensar e de viver da sociedade.
Condenação pela Igreja dos juros (usura) e do lucro.
Fenômenos naturais explicados pela fé. A sociedade medieval era profundamente religiosa. Era comum a celebração de ritos para fazer as plantas crescerem, para conseguir boa colheita, para pedir a chuva etc.

As Cruzadas

As Cruzadas são tradicionalmente definidas como expedições de caráter "militar" organizadas pela Igreja, para combaterem os inimigos do cristianismo e libertarem a Terra Santa (Jerusalém) das mãos desses infiéis. O movimento estendeu-se desde os fins do século XI até meados do século XIII. O termo Cruzadas passou a designá-lo em virtude de seus adeptos (os chamados soldados de Cristo) serem identificados pelo símbolo da cruz bordado em suas vestes. A cruz simbolizava o contrato estabelecido entre o indivíduo e Deus. Era o testemunho visível e público de engajamento individual e particular na empreitada divina.
Partindo desse princípio, podemos afirmar que as peregrinações em direção a Jerusalém, assim como as lutas travadas contra os muçulmanos na Península Ibérica e contra os hereges em toda a Europa Ocidental, foram justificadas e legitimadas pela Igreja, através do conceito de Guerra Santa - a guerra divinamente autorizada para combater os infiéis.
O movimento cruzadista foi motivado pela conjugação de diversos fatores, dentre os quais se destacam os de natureza religiosa, social e econômica. Em primeiro lugar, a ocorrência das Cruzadas expressava a própria cultura e a mentalidade de uma época. Ou seja, o predomínio e a influência da Igreja sobre o comportamento do homem medieval devem ser entendidos como os primeiros fatores explicativos das Cruzadas.
A ocorrência das Cruzadas Medievais deve ser analisada também como uma tentativa de superação da crise que se instalava na sociedade feudal durante a Baixa Idade Média. Por esta razão outros fatores contribuíram para sua realização.
Muitos nobres passam a encarar as expedições à Terra Santa como uma real possibilidade de ampliar seus domínios territoriais.
Aliada a esta questão deve-se lembrar ainda de que a sucessão da propriedade feudal estava fundamentada no direito de primogenitura. Esta norma estabelecia que, com a morte do proprietário, a terra deveria ser transmitida, por meio de herança, ao seu filho primogênito. Aos demais filhos só restavam servir ao seu irmão mais velho, formando uma camada de "nobres despossuídos" -- a pequena nobreza -- interessada em conquistar territórios no Oriente por meio das Cruzadas.

Consequências das Cruzadas
Os efeitos das Cruzadas se deixaram sentir principalmente na Europa, não no Oriente Médio. As Cruzadas foram responsáveis pela reabertura das rotas comerciais entre o Oriente e o Ocidente. Os cruzados haviam fortalecido o comércio das cidades italianas, haviam gerado um interesse pela exploração do Oriente e haviam estabelecido mercados comerciais de duradoura importância. Os experimentos do Papado e dos monarcas europeus para obter os recursos monetários para financiar as Cruzadas conduziram ao desenvolvimento de sistemas de impostos diretos de modo geral, que tiveram conseqüências a longo prazo para a estrutura fiscal dos estados europeus. Ainda que os estados latinos no Oriente tivessem uma vida curta, a experiência dos cruzados estabeleceu alguns mecanismos que gerações posteriores de europeus usariam e melhorariam, ao colonizar os territórios descobertos pelos exploradores dos séculos XV e XVI.

Abra o comentário e responta as questões.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

O Absolutismo Monárquico


Regime político surgido na Europa no final da idade média. Estendeu-se até a Idade moderna. O que caracterizava o absolutismo monárquico era o totalitarismo monárquico, ou seja, o poder sem limite, absoluto. Na atmosfera cultural e política da idade moderna, as palavras do rei era a palavra final, sem contestação.
Um exemplo disso é a famosa frase “O Estado Sou Eu” , proferida por Luíz XIV, conhecido como o “Rei Sol”, que governou a França entre 1661 e 1715. Essa visão do poder certamente era compartilhada por outros monarcas absolutistas da Europa.
A centralização política trouxe como conseqüência o absolutismo monárquico, passando o rei a ser identificado com o Estado e a constituir um dos elementos da unidade nacional, enquanto a população assume a condição de fiéis súditos de um mesmo monarca.

As características gerais dos Estados Modernos eram:
• Formação de um exército permanente;
• Imposição da justiça real;
• Centralização e unificação administrativa;
• Unificação do sistema de pesos e medidas;
• Arrecadação de impostos reais;
• Formação de uma burocracia.

Justificação monárquica

Dentro do processo de centralização política, encontramos as teorias que vão justificar a necessidade de concentração de plenos poderes por parte do rei. Quando se coloca em prática uma política seguida de um fundamento, torna-se mais fácil o convencimento e a estabilidade do sistema.

Alguns filósofos legitimaram essa visão em suas obras:

Nicolau Maquiavel (1469-1527) Foi o primeiro grande teórico do absolutismo. Escreveu, entre outras coisas, “O Príncipe”, em que justificou ser o absolutismo necessário para a manutenção do Estado forte.
Jean Bodin (1530-1596) Para quem o rei detinha a soberania (isso é, o poder de criar e revogar as leis) e no exercício dessa soberania, tinha o poder supremo sobre os súditos, sem nenhuma limitação;
Thomas Hobbes (1588-1679) Desenvolveu a teoria de que os seres humanos, em troca de segurança, haviam conferido toda a autoridade a um soberano.
Jacques Bossuet (1627-1704) Defendeu a teoria da origem divina do poder real. O poder do rei era absoluto porque provinha de Deus.

Sociedade Estamental
Quando o rei concentrou o poder em suas mãos, manteve como compensação muitos dos privilégios da nobreza e do clero, além da separação rígida entre diversos grupos sociais. Dessa forma, a sociedade permaneceu estamental.
Estamentos são grupos sociais definidos por relações de privilégios e de honra. A nobreza era um estamento baseado em privilégios adquiridos por nascimento. Quem nascia nobre nunca perdia essa condição. Da mesma forma, o camponês sempre seria camponês, e jamais poderia ser um nobre. Não havia, portanto, mobilidade social na sociedade estamental.
Na época da sociedade moderna, os estamentos eram chamados de Estados. O primeiro Estado era formado pelo clero; o segundo Estado, pela nobreza, e o terceiro Estado era composto pela maioria da população: camponeses, artesãos, comerciantes, trabalhadores assalariados. O terceiro Estado era desprovido de privilégios e não tinham poder de decisão na vida pública.
Por mais que os monarcas procurassem se aliar à burguesia e que a ideologia do absolutismo os colocasse acima das classes sociais, eles estavam diretamente ligados à nobreza de origem feudal. A essa estrutura feudal absolutista, na qual se entrelaçam antigas relações feudais e novas relações capitalistas de produção, dá-se o nome de Antigo Regime.

O Absolutismo Inglês
O Absolutismo na Inglaterra teve início após a Guerra das Duas Rosas. Essa guerra foi uma luta entre duas famílias nobres – os Lancaster e os York -, apoiadas por grupos rivais da nobreza. A guerra terminou com a ascensão de Henrique Tudor, apoiado pela burguesia.
O novo monarca subiu ao trono com o nome de Henrique VII e fundou a dinastia Tudor.
Seu reinado foi de 1485 a 1509.
Henrique VIII, segundo rei da dinastia, governou até 1547 e conseguiu impor sua
autoridade aos nobres, com o auxílio da burguesia. Fundador do anglicanismo, seu rompimento com a Igreja católica permitiu-lhe assumir o controle das propriedades
eclesiásticas na Inglaterra.
A rainha Elizabeth I, que reinou de 1558 a 1603, conseguiu aumentar ainda mais o poder real. Completou a obra de Henrique VIII, seu pai, consolidando a Igreja anglicana e perseguindo os adeptos de outras religiões. Foi durante seu reinado que teve início a colonização inglesa na América do Norte.
Elizabeth morreu sem deixar herdeiros e, por isso, subiu ao trono seu primo Jaime I, que deu início à dinastia Stuart. Durante seu reinado, que foi de 1603 a 1625, continuou a perseguição aos adeptos de outras religiões, muitos dos quais acabaram emigrando para a América do Norte.
Carlos I, filho e sucessor de Jaime I, subiu ao trono em 1625. Seu reinado, do mesmo
modo que o de seu pai, caracterizou-se pelo absolutismo e pelas perseguições religiosas.
Em 1642, os parlamentares e os burgueses iniciaram uma guerra contra o rei. Liderados por Oliver Cromwell, derrotaram Carlos I. Cromwell assumiu o poder com o título de "Lorde Protetor "e governou de 1649 a 1658.
Em 1651, Cromwell lançou o Ato de Navegação, que ilimitava a entrada e saída de
mercadorias da Inglaterra aos navios ingleses e aos navios dos países produtores ou
consumidores; com isso, prejudicava o comércio intermediário praticado pelos holandeses.
A partir de então, a Inglaterra passou a ser a grande potência marítima mundial, posição que manteve até o fim da Primeira Guerra Mundial, já no século XX.
Dois anos após a morte de Cromwell, ocorrida em 1658, o governo voltou às mãos dos
Stuart. Com isso, a Inglaterra teve mais dois soberanos de tendências absolutistas: Carlos II, que reinou de 1660 a 1685 e Jaime II, de 1685 a 1688.
Além de Ter tendências absolutistas, Jaime II era católico declarado. E seria substituído no trono pelo filho que tivera com sua segunda esposa, também católica. Com a primeira esposa, que era protestante, Jaime II só tivera duas filhas.
O Parlamento, temendo a volta ao catolicismo e ao absolutismo, uniu-se e resolveu
"convidar" o príncipe holandês Guilherme d’Orange, casado com Maria Stuart, filha mais velha de Jaime II, a invadir a Inglaterra e depor o rei, "a fim de restabelecer a liberdade e proteger a religião protestante ".
Em novembro de 1668, Guilherme desembarcou na Inglaterra com um exército de
14.000 homens, marchou sobre Londres e ocupou-a sem disparar um só tiro. Jaime II fugiu para a frança, e guilherme foi coroado rei com nome de Guilherme II. Essa revolução, ocorrida sem derramamento de sangue, denominou-se Revolução Gloriosa.
O novo rei, ao ser coroado, teve de jurar a Declaração de Direitos, que assegurava ao
Parlamento o direito de aprovar ou rejeitar impostos, garantia a liberdade individual e a propriedade privada. A Declaração de Direitos estabelecia também o princípio da divisão de poderes.
Com a revolução gloriosa, a burguesia, tendo o poder nas mãos, passou a promover o
desenvolvimento econômico da Inglaterra.

sábado, 6 de dezembro de 2008

A formação dos Estados Nacionais




Se você perguntar a um adolescente qual a sua nacionalidade ele certamente responderá: sou argentino, sou português, sou brasileiro, sou canadense, sou alemão. Mas se você fizesse essa mesma pergunta a um adolescente, por exemplo, do século XII ele não saberia responder. Não que os adolescentes de hoje são mais inteligentes que os do século XII. É que naquela época não havia países. Não nos modelos que conhecemos hoje. O máximo que eles responderiam era: sou da região dos Flandes, sou de Toulouse, sou do reino de Castela, sou da região da Toscana.
Esse blog é escrito em português e se algum internauta de qualquer lugar do mundo acessá-lo, o seu navegador se encarregará de traduzi-lo. Se no entanto, ele fosse escrito no século XII isso não seria necessário porque provavelmente eu o estaria escrevendo em latim. O latim era língua universal dos eruditos. As crianças naquela época não estudavam inglês, alemão, holandês ou italiano. Estudavam latim. Falava-se inglês, alemão etc., mas essas línguas só mais tarde passaram a ser escritas. O monge espanhol com sua Bíblia na Espanha lia as mesmas palavras latinas que eram lidas pelos monges de um mosteiro inglês.
A religião também era universal. Quem se considerasse cristão nascia na Igreja Católica. Não havia outra.
E, espontaneamente ou a contragosto, era necessário pagar impostos a essa Igreja e sujeitar-se às suas regras e regulamentos.
Os serviços religiosos em Southampton muito se assemelhavam aos de Gênova. Não havia limites estatais à religião.
Muita gente pensa hoje que as crianças nascem com o instinto de patriotismo nacional. Evidentemente isso não é verdade. O patriotismo nacional.. vem em grande parte de se ler e ouvir falar constantemente nos grandes feitos dos heróis nacionais. As crianças do século X não encontravam em seus livros didáticos desenhos de navios de seu país afundando os de um país inimigo.
Por uma razão muito simples: não havia países, tal como os conhecemos hoje.
Mas em fins da Idade Média, no decorrer do século XV, tudo isso se modificou. Surgiram nações, as divisões nacionais se tornaram acentuadas, as literaturas nacionais fizeram seu aparecimento, e regulamentações nacionais para a indústria substituíram as regulamentações locais. Passaram a existir leis nacionais, línguas nacionais e até mesmo Igrejas nacionais. Os homens começaram a considerar-se não como cidadãos de Madri, de Kent ou de Paris, mas como da Espanha, Inglaterra ou França. Passaram a dever fidelidade não à sua cidade ou ao senhor feudal, mas ao rei, que é o monarca de toda uma nação.
Mas como ocorreu essa evolução do Estado nacional? Foram muitas as razões políticas, religiosas, sociais, econômicas. É o que veremos a seguir.
Se vocês voltarem para o tópico "A Baixa Idade Média e o Declínio do Feudalismo", irão observar as transformações ocorridas nesse período. Entre elas está a formação de uma nova classe social: a burguesia. Quem eram os burgueses, lembram? Ricos comerciantes, banqueiros, mestres de ofícios... Na verdade, o surgimento dessa classe é que terá uma grande relevância para os acontecimentos do período. São eles que vão reivindicar melhorias para o comércio, para as estradas, para as cidades, para o desenvolvimento das transações comerciais entre as regiões próximas e distantes.
O mais rico é quem mais se preocupa com o numero de guardas que há em seu quarteirão. Os que se utilizam das estradas para enviar suas mercadorias ou dinheiro a outros lugares são os que mais reclamam proteção contra assaltos e isenção de taxas de pedágio. A confusão e a insegurança não são boas para os negócios. A classe média queria ordem e segurança.
Para quem se poderia voltar? Quem, na organização feudal, lhe podia garantir a ordem e a segurança? No passado, a proteção era proporcionada pela nobreza, pelos senhores feudais. Mas fora contra as extorsões desses mesmos senhores quê as cidades haviam lutado. Eram os exércitos feudais que pilhavam, destruíam e roubavam. Os soldados dos nobres, não recebendo pagamento regular pelos seus serviços, saqueavam cidades e roubavam tudo o que podiam levar. As lutas entre os senhores guerreiros freqüentemente representavam a desgraça para a população local, qualquer que fosse o vencedor. Era a presença de senhores diferentes em diferentes lugares ao longo das estradas comerciais que tornava.. os negócios tão difíceis. Necessitava-se de uma autoridade central, um Estado nacional", um poder supremo que pudesse colocar em ordem o caos feudal. Os velhos senhores já não podiam preencher sua função social. Sua época passara. Era chegado o momento oportuno para um poder central forte.
Na Idade Média, a autoridade do rei existia...teoricamente, mas de fato era fraca.
Os grandes barões feudais eram praticamente independentes. Seu poderio tinha de ser controlado, e realmente o foi.

As bases do poder real

As monarquias, com o intuito de se fortalecerem e garantirem sua soberania, investiram na criação de exércitos profissionais, disciplinados e fiéis à autoridade dos reis. A evolução das técnicas militares, com o surgimento da artilharia, tornou os exércitos reais mais poderosos. A cavalaria, organização bélica tradicional em que a nobreza assentava seu poder, tornou-se, aos poucos, obsoleta frente às novas técnicas de guerra.
Em uma época de insegurança gerada por constantes guerras, a coroa assumiu a responsabilidade de defender o reino, os bens e a segurança de seus súditos.
O desenvolvimento de um eficiente aparato administrativo, jurídico e burocrático também teve grande importância para legitimar a autoridade monárquica. Conselheiros militares, administrativos e financeiros foram recrutados para auxiliar o rei, que passou a contar com
ministros inspetores e cobradores de impostos.

O rei entre a nobreza e a burguesia

A consolidação do poder dos reis se deu por meio do apoio da nobreza e da burguesia. Embora tivesse que diminuir os poderes da nobreza para aumentar os seus e, ainda, combater alguns senhores feudais rebeldes, a monarquia não adotou somente atitudes hostis em relação aos nobres. A coroa também se aliava a esses nobres, procurando pacificá-los e atrai-los para o seu círculo de influência, concedendo-lhes altos cargos militares e administrativos do Estado, além de
privilégios, como isenções de impostos e pensões.
Por outro lado, os reis encontravam na burguesia uma importante aliada, pois esta fomentava as atividades comerciais, o que aumentava as rendas do Estado. Em troca, a monarquia facilitava os negócios da burguesia, oferecendo segurança para as rotas comerciais e padronizando a moeda, os pesos e as medidas.

A formação das Monarquias Ibéricas

No século X, a maior parte da península Ibérica era controlada pelos muçulmanos. A exceção era o norte, onde os povos cristãos se refugiaram e conseguiram manter sua independência. Do norte, os reinos cristãos de Leão, Castela e Aragão iniciaram a luta para recuperar seus territórios. A Reconquista, como ficou conhecido esse movimento, de reação cristã, ganhou impulso no século XI, quando o papa Alexandre II prometeu o perdão dos pecados àqueles que ajudassem os ibéricos na luta
contra os muçulmanos. Além da piedade religiosa, motivos materiais, como a conquista de terras e dos bens saqueados dos inimigos, também atraíram a ajuda de estrangeiros - principalmente de nobres franceses - , que colabararam com os cristãos ibéricos nessa luta.

O fim do Império Bizantino

Durante a Idade Média européia, a China e a Índia estiveram em paz. Por volta de 1200, os mongóis, pastores das estepes asiáticas, se unificaram sob a liderança de um chefe supremo - Gênghis Khan, “imperador de todos os homens”. Em menos de vinte anos conquistaram o centro da Ásia, a Pérsia e o Turquestão. Em 1222, penetraram na Rússia e se fixaram às margens do mar Negro. O neto de Gênghis Khan, Mon Khan, conquistou a China, até então independente, e avançou em direção à Europa. Os mongóis se estabeleceram na Hungria e chegaram até o mar Adriático. Seus sucessores preferiram centrar o império na China e iniciaram uma política de abertura para a Europa: durante o reinado de Kublai Khan, Marco Polo realizou sua viagem à China.
Essa política de boas relações acabou em 1370. O guerreiro turco Tamerlão, que conseguiu apoderar-se do império mongol, decidiu empreender a conquista da Europa.
A queda de Bizâncio
Os otomanos, que haviam sido derrotados pelos mongóis durante sua primeira tentativa de tomar Bizâncio, conseguiram, em 1453, conquistar a cidade. Era o fim do Império Bizantino, o antigo Império Romano do Oriente.
Bizâncio, desde então chamada Istambul, foi capital do Império Otomano durante muitos séculos.
Mas, derrotado por tropas cristãs de Espanha, Veneza e de Malta em 1571, o mundo muçulmano entra num período de lenta decadência.

O Fim da Idade Média

Nos dois últimos séculos da Idade Média, começaram a despontar os sinais dos novos tempos que revolucionaram a vida da humanidade a partir do século XV. Nesse período, a Europa experimentou uma série de mudanças: os reinos cristãos se consolidaram e expandiram suas fronteiras internas, o comércio de produtos de luxo e alimentos ganhou impulso.
A mudança das condições políticas, sociais, econômicas e culturais na Europa cristã do século XV definiu uma nova idade histórica: a Idade Moderna. Vimos que vários fatores contribuíram para enfraquecer o poder dos senhores feudais a partir do século XIII. A centralização e o fortalecimento dos Estados nacionais tiraram uma boa parcela de seu poder.
Durante os últimos dois séculos da Idade Média, a Europa feudal se expandiu. Novas terras foram colonizadas; a população aumentou. Havia uma necessidade real de ampliar a produção de alimentos.
A expansão atlântica foi a segunda expansão européia, por assim dizer. Do mesmo modo, a expansão comercial do final da Idade Média exigia metais preciosos, sobretudo ouro e prata.
Os “descobrimentos” do fim do século XV e início do século XVI ampliaram o espaço geográfico dos europeus. Povos que se desconheciam mutuamente entraram em contato. O capitalismo comercial aproveitou a expansão ultramarina e trouxe para a Europa novos produtos e oportunidades de investimento.
Os Estados nacionais se fortaleceram ainda mais com a formação de impérios coloniais ultramarinos: o sistema colonial do início dos tempos modernos visava aumentar a arrecadação de impostos da Coroa e enriquecer as monarquias nacionais. A economia
mundial capitalista estava prestes a nascer.
Ao mesmo tempo, surgiram uma nova mentalidade e uma nova ética. A reforma religiosa do início do século XVI ajudou a fixar novos padrões de comportamento, mais afinados com os novos tempos. As cidades tornaram-se os centros da nova cultura que surgiu na Idade Moderna.